Recessão democrática em África: Dos que se unem "para capturar o Estado e enriquecer", às "primeiras-damas" mais poderosas do que governantes

Novo JornalPublicado 10/04/2017 17:36:00

Depois de um crescimento no final do século XX (vinte), nos últimos 10 anos observa-se "um declínio" democrático em África, defende o representante das Nações Unidas (ONU) para a África Central, Abdoulaye Bathily, lamentando que o número de partidos tenha diminuído na maioria dos países, e que a política já não seja "sobre valores e o bem comum, mas sobre interesses de grupos ou pessoais".

Foto: DR

O alerta do responsável da ONU ouviu-se no debate "O risco de uma recessão democrática", incluído no programa do "Fim-de-Semana da Governação Ibrahim", realizado no passado fim-de-semana na cidade marroquina de Marraquexe.

Peremptório em afirmar que África vive um recuo democrático, Abdoulaye Bathily apresentou uma série de factores para sustentar esta avaliação.

Se por um lado o representante da ONU observou que "diminuiu o número de partidos na maioria dos países"- e a política deixou de ser "sobre valores e o bem comum", passando a ser "sobre interesses de grupos ou pessoais" -, por outro lado alertou para a intervenção de pessoas que se unem "para capturar o Estado e enriquecer".

Para além disso, Abdoulaye Bathily qualificou como "muito negativa", a ascenção paralela da "rede familiar" dos governantes.

"As primeiras-damas tornaram-se uma instituição, são mais poderosas que primeiros-ministros, e não foram eleitas", apontou.

Abdoulaye Bathily criticou igualmente a ligação de alguns líderes a mundo do crime, adiantando que muitos são eleitos com o apoio de "traficantes de droga e de armas, que entram na arena política e corrompem o eleitorado".

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