Enviado da ONU a Luanda alerta para impacto da violência na RDC no processo eleitoral em Angola

Novo JornalPublicado 28/04/2017 16:16:00

O enviado especial do secretário-geral das Nações Unidas para a Região dos Grandes Lagos, Said Djinnit, que chegou ontem a Luanda para dois dias de trabalho, alertou hoje para o efeito de contágio que a instabilidade na República Democrática do Congo (RDC) pode produzir no processo eleitoral em Angola, não apenas pelo afluxo de refugiados, mas também pela intervenção de milícias armadas.

Foto: DR


À saída de um encontro com o vice-Presidente da República, Manuel Vicente, o enviado da ONU classificou de "muito preocupante", a situação que está a acontecer na região do Kasai, na fronteira da Lunda Norte com a RDC.

O tema dominou a reunião com o número dois do Estado angolano, também marcada pela análise dos "processos eleitorais mais ou menos difíceis na região", nomeadamente no Burundi.

Centrando-se na questão da RDC, e na sua proximidade a Angola, Said Djinnit lembrou o efeito que a violência na região pode produzir no escrutínio de 23 de Agosto.

"Para além de implicar insegurança na região da RDC tem implicações também no processo eleitoral em Angola. Essa implicação passa não só pelo afluxo de refugiados, mas também de grupos armados, de milícias armadas, que podem complicar muito a situação aqui do lado angolano", alertou Said Djinnit, citado pela agência Lusa.

O enviado do secretário-geral para a Região dos Grandes Lagos aproveitou o encontro para reiterar a disponibilidade ONU para apoiar a realização das eleições gerais em Angola, apelando a que as mesmas sejam "justas, transparentes e pacíficas".

Polícia Nacional reforçou presença na fronteira

A preocupação do responsável da ONU relativamente à segurança na fronteira com a RDC é extensiva às autoridades angolanas, conforme demonstra o reforço do patrulhamento policial na região.

O comandante-geral da Polícia Nacional, comissário Ambrósio de Lemos, disse à Rádio Nacional que "estão a ser tomadas medidas de contenção para que não haja penetração de forças armadas" em Angola, a partir da zona do Kasai, na fronteira da Lunda Norte com a RDC.

"Nós não podemos ficar impávidos", sublinhou o responsável, referindo-se à violência dos confrontos que têm eclodido na região, de onde terão fugido cerca de 15 mil refugiados congoleses nos últimos dias.

O conflito entre as forças de segurança da RDC e as milícias afectas a Kamwuina Nsapu, antigo chefe tradicional com grande influência nas províncias Kasai, já provocou mais de 400 mortos desde Julho de 2016.

Primeira Página