Democracias africanas: Gostamos da noção de ser exemplo para o resto do continente e o mundo

Sousa JambaPublicado 06/05/2017 11:41:00

Nós, os africanos, gostamos da noção de ser exemplo para o resto do continente e o mundo. No outro dia, ouvi um ministro da Guiné Equatorial, país cuja localização não é conhecida por muitos Africanos, afirmar que o sistema de governação de Malabo está a servir como um exemplo para o resto do mundo.

Foto: DR


O presidente do Uganda, Yoweri Museveni, insiste que a sua liderança está a ser emulada pelo resto do mundo. O antigo presidente do Gâmbia, Yayah Jammeh, que dizia que iria reinar por mil anos, também insistia que o seu povo tinha a melhor governação que os seres humanos já conheceram.

Parece haver um consenso que no continente africano há países com democracias que merecem louvores.

Durante a sua presidência, Barack Obama visitou o Gana, Senegal e Tanzânia, salientando que se tratava de democracias saudáveis na África a sul do Saara.

Há um argumento segundo o qual a Democracia Ocidental - do Capitólio, Westminster ou Paris - não combina com a realidade africana. Os africanos, segundo este argumento, tinham que montar um sistema suis generis - algo que se alinha com todas as complicações do continente.

O Senegal, Tanzânia e Gana parecem estar a fazer isto. Mesmo assim, as democracias nestes países não fogem do princípio de que os governantes devem prestar contas aos governados.

A Tanzânia tem muito em comum com o Senegal. Os pais fundadores dos dois países foram ambos intelectuais católicos em países com influência muçulmana bastante dominante.

Leopold Sedar Senghor, primeiro Presidente do Senegal, foi uma figura dominante no movimento da negritude - descobriu os valores da civilizações africanas. Ele levava a cultura Ocidental muito a sério e chegou a ser o primeiro negro na prestigiosa Academia Francesa. Senghor insistia que o socialismo poderia ser alinhado a muitos valores africanos. Julius Nyerere, primeiro Presidente da Tanzânia, era admirado pelo o seu domínio da língua inglesa; tinha um mestrado em Literatura Inglesa e traduzia para suaíli as peças do grande escritor britânico William Shakespere. Nyerere também insistia num socialismo africano.

(Leia a opinião de Sousa Jamba na íntegra na edição 481 do Novo Jornal, também disponível por assinatura digital, que pode pagar no Multicaixa)

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