A madre superiora do centro Santa Rita de Cássia exige regresso das crianças

Gaspar FaustinoPublicado 09/05/2017 8:35:00

A direcção do Centro de Acolhimento Santa Rita de Cássia, cujas 90 crianças que ali viviam foram retiradas pelo Estado por alegada falta de condições de higiene e segurança, nega que a situação seja essa e exige saber para onde é que as crianças foram transferidas.

O centro gerido por irmãs católicas foi esvaziado das suas 90 crianças pela secretaria de Estado para a Área Social, que justificou a transferência com um surto de sarna em consequência das "condições sub-humanas e indigentes a que estavam submetidas".

De acordo com a Secretária de Estado Ana Correia Victor, "o encerramento visou proteger a saúde das crianças, que corriam perigo de vida", adiantando que os menores, que se encontravam no centro, "sob os auspícios de pessoas singulares, foram levadas para outros locais de acolhimento localizados na província de Luanda".

A estas acusações graves, a madre superiora que gere o Centro der Acolhimento Santas Rita de Cássia, Nsanga Nicole, respondeu, em conferência de imprensa, garantindo que "não existiu surto de sarna, nem e nunca estiveram 90 crianças infectadas. Tínhamos apenas oito crianças com sarna que já estão curadas há bastante tempo".

"A senhora secretaria de Estado para Área Social do Ministério da Assistência e Reinserção Social, não cumpriu com a sua promessa. Ela nos disse que haveriam de levar as crianças para fazer exames médicos e depois deviam regressar e, até à data presente, não vimos nenhuma criança e nem soubemos do seu paradeiro", garantiu.

A irmã Nicole acrescentou ainda que nada justifica que as crianças sejam mantidas fora do centro "porque estavam a estudar bem, sempre tiveram do bom e do melhor" na instituição.

"Não percebemos o porquê de pessoas de má-fé terem inventado estas falsas histórias para manchar a boa imagem do centro. Fizemos a desinfestação, as condições estão boas para recebermos as crianças. Não estou a conseguir dormir porque não sei aonde os meus filhos foram parar", lamentou a religiosa, questionada pelo Novo Jornal online.

Recorde-se que, depois de as crianças terem sido retiradas, a secretária de Estado garantira que "assim que a instituição social criar as condições ideais e estiver legalizada" a situação será normalizada.

Ana Correia Victor tinha dito ainda que o Ministério da Assistência e Reinserção Social daria "o apoio necessário para que o Centro Santa Rita de Cássia volte a funcionar, mas com condições dignas de acordo com a legislação em vigor sobre o funcionamento das instituições de protecção ou de apoio social".

A aposta "na capacitação dos membros das redes e melhorar os mecanismos de coordenação, controlo, fiscalização e inspecção do trabalho", foi outra das promessas da Secretária de Estado.

Já a directora do Instituto Nacional da Criança, Nilza Batalha, revelou que as mais de 600 instituições de acolhimento existentes no país vão estar sujeitos a uma fiscalização regular, depois das anomalias descobertas no Centro Santa Rita de Cássia.

A fiscalização vai começar pelos centros situados na província de Luanda, devendo depois ser extensiva aos das restantes províncias.

O Centro Santa Rita de Cássia acolhia crianças dos 12 aos 16 anos.

Primeira Página