Malanje pode voltar a produzir algodão em larga escala

Novo JornalPublicado 17/05/2017 11:32:00

O Japão está interessado em investir na produção de algodão em Malanje e, para isso, tem em curso nesta província um estudo de viabilidade que pode convencer a agência de cooperação nipónica a avançar para o terreno.

O interesse do Japão na retoma da produção de algodão em Malanje, província com um largo historial nesta cultura até à independência, nomeadamente na região da Baixa de Cassanje onde a antiga Cotonang explorava milhares de hectares com esta planta, foi avançado pelo embaixador em Angola, Hironori Sawada, numa deslocação que fez à província.

Durante um encontro com o governador provincial de Malanje, Norberto dos Santos "Kwata Kanawa", o diplomata nipónico falou desta questão, obtendo a melhor reacção e garantias de abertura para que o projecto avance, no âmbito dos planos provinciais para desenvolver a agricultura local, uma das apostas do país para diminuir a dependência económica do petróleo.

Apesar de o Japão já ter trabalhos de análise no terreno, os detalhes do projecto e os montantes a investir ainda não estão definidos mas, segundo Sawada, tudo aponta para que avance em breve porque há um elemento fundamental que já é claro: a grande potencialidade da província para a produção de algodão.

Mas os interesses do Japão na província de Malanje não se limitam ao algodão. Hirinori Sawada destacou ainda, após o encontro com o governador Norberto dos Santos, os recursos minerais como uma área de grande interesse.

Recorde-se que o mapa geológico do país que está a ser organizado pelo Ministério da Geologia e Minas, com apoio de instituições portuguesas e espanholas, denominado Planageo, já demonstrou que Malanje é uma das províncias com potencial na área da produção diamantífera, entre outros minerais.

Um dos elementos destacados pelo diplomata nipónico é que as actividades ligadas à agricultura e aos recursos minerais estão facilitadas devido ao trabalho feito nos últimos anos pela ONG norueguesa APN na desminagem dos solos da província, o que dá segurança para conduzir os trabalhos no terreno.

Todavia, olhando para o passado agrícola e industrial de Malanje, rapidamente se percebe que o algodão já demonstrou ter grande potencial, até porque, na década de 1960 Angola (a foto que acompanha este testo é de 1974), ainda sob domínio colonial, era um grande exportador de algodão, produzido essencialmente na Baixa de Cassanje, pela multinacional Cotonang, gerida por belgas, portugueses e ingleses, em cujos campos rebentou a famosa Revolta de Cassanje, onde os milhares de trabalhadores se sublevaram, em 1961, contra as condições de trabalho consideradas de semi-escravatura.

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