Segundo a edição do jornal Expansão desta sexta-feira, 02, no total, "a média de remessas anuais enviadas pela comunidade angolana a viver lá fora é 189 vezes inferior às divisas que a diáspora do Djibouti envia para o seu país, 122 vezes menos do que a Nigéria ou 111 vezes menos do que o Quénia".
Os números dizem respeito aos cerca de 620 mil angolanos na diáspora que mandaram cerca de 52 milhões USD em 2024 para a sua terra natal.
Porém, em termos globais, os 52 milhões USD são superiores aos 44 milhões USD da República do Congo, aos 29 milhões USD do Essuatíni, aos 11 milhões USD das Ilhas Seischeles e aos menos de 16 milhões USD do Djibouti.
Na matéria, o semanário económico detalha igualmente que entre os motivos pelos quais os angolanos não estão a mandar suas poupanças para o País pesam muito sobretudo questões como "a falta de vontade de um dia regressar a Angola", bem como "o alto custo das transacções", "a desconfiança do sector bancário" e a "hostilidade com que se olha para quem sai do País" além dos "baixos salários".
Entre os aspectos citados pelo jornal especializado em Economia e Finanças estão as taxas asfixiantes que envolvem as operações: "Angola é o país onde os custos de envio de dinheiro do estrangeiro através de entidades não bancárias é mais elevado", sendo que, por cada 100 USD enviados lá de fora, 22,9% ficam retidos em custos nas plataformas utilizadas para o efeito, conforme dados do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA).
A matéria acrescenta igualmente que entre os motivos para que as remessas da diáspora angolana sejam tão baixas estão "a falta de confiança na banca tradicional", que muitas vezes "dificulta o levantamento de divisas depositadas nas contas bancárias", bem como os potenciais ganhos gerados para os mercados negros de divisas.
A juntar a isto está o perfil geográfico da migração: a maioria dos angolanos fixa-se em Portugal, onde a comunidade aufere rendimentos médios-baixos.
O cenário contrasta com o de países como a Nigéria e o Gana, cujos cidadãos emigram preferencialmente para nações anglófonas, como os Estados Unidos e a Inglaterra, onde os salários são estruturalmente mais elevados e a capacidade de poupança é maior, pode ler-se.
Notícia actualizada às 19h44



