Segundo o Ministério da Saúde congolês, desde que a 17ª epidemia de Ébola foi declarada, a 17 de Maio, já estão assinalados 515 casos positivos da infecção e há 283 pacientes com o vírus em tratamento, sendo que o número de casos no Uganda já se aproxima das duas dezenas.

Entretanto, a OMS está agora empenhada em combater a maior das barreiras ao combate a esta epidemia além do vírus, que é a avalanche de falas informações passadas por curandeiros sobre a origem da doença, atribuindo-a à presença das equipas médicas internacionais.

Ao mesmo tempo, estes indivíduos, muitos deles vistos como "médicos tradicionais", estão a aconselhar as vítimas a fugir dos centros de tratamento oficiais (ver links em baixo), o que já levou multidões a incendiar centros de isolamento em Bunia, a capital de Ituri, a província onde foi declarado o caso inicial desta epidemia, que já se espalhou para mais três regiões, os Kivu Norte e Sul, e ainda para o vizinho Uganda.

Essa é uma das razões para que as autoridades locais e nacionais estejam a reforçar a segurança em torno destas unidades de saúde com equipamentos específicos, como centros de isolamento, para combater o vírus do Ébola.

Além da polícia congolesa e dos militares das Forças Armadas da RDC, também os militares da Missão da ONU na RDC (MONUSCO), avança a Radio Okapi, estão a ser recolocados nas zonas de crise sanitária para travar as situações de violência que ocorrem entre as equipas médicas e as populações locais.

Isto, numa altura em que as autoridades da RDC elevaram para 515 os casos confirmados no surto de Ébola declarado em maio no leste do país, que causou já 91 mortos.

No último boletim sobre a doença, divulgado na noite de domingom lembra a Lusa, e com dados até sábado, o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) indicou que foram registados 27 novos casos nas 24 horas anteriores à publicação do relatório.

"As atividades de assistência, prevenção e sensibilização comunitária continuam nas zonas afetadas", informou o Ministério da Comunicação congolês através da rede social X.

Segundo as autoridades, 283 pacientes estão "hospitalizados ou em isolamento" e o número de pessoas curadas subiu para doze, mais três do que no último contagem, enquanto as zonas de saúde afetadas em três províncias congolesas se mantêm em 25.

Além disso, 50,3% dos contactos já foram rastreados -- uma taxa inferior aos 67,2% do relatório anterior -- e a taxa de letalidade situa-se em 17,7%.

O surto corresponde à estirpe de Bundibugyo, cuja taxa de letalidade é de cerca de 50% e para a qual não existe vacina autorizada ou tratamento específico, segundo a OMS, que considera "alto" o risco de surto em África subsariana e "baixo" a nível global.

A OMS considera que o vírus começou a circular em Ituri cerca de dois meses antes da declaração oficial do surto, que foi classificado a 17 de maio como "emergência de saúde pública de importância internacional".

O vírus do Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.