Para isso, optou por tirar um inesperado "coelho da cartola" confrontando as exigências do Irão para reabrir o Estreito de Ormuz que lhe está a afunilar as possibilidades eleitorais nas eleições intercalares de Novembro, com uma ameaça bem mais inesperada que os velhos coelhos brancos que saem dos chapéus pretos dos mágicos em palco.
O Presidente dos Estados Unidos veio já nesta terça-feira, 11, anunciar que vai exigir "compensações financeiras" por danos de guerra ao Irão, que, como é conhecido, resultaram da resposta iraniana aos ataques começados por norte-americanos e Israelitas sobre as bases dos EUA nos países árabes do Golfo Pérsico.
Em ambas as guerras, em Junho de 2025, e em Fevereiro deste ano, foi a coligação israelo-americana que atacou primeiro o Irão, e em ambos os casos, de forma ilegal e traiçoeira, e quando Teerão e Washington tinham em curso negociações mediadas por organizações internacionais sobre o programa nuclear iraniano.
E se o programa nuclear iraniano é a mais repetida razão, por Donald Trump, para os ataques ao Irão, de forma a "garantir que este país não obtém uma ogiva atómica", do lado do Irão a mais sublinhada exigência aos EUA é a compensação pela destruição da infra-estrutura civil nas longas semanas de bombardeamentos em 2025 e já em 2026.
Donald Trump tirou este coelho da cartola depois de ter anunciado uma retirada parcial da guerra, dando por concluídos os ataques, admitindo que os EUA têm os seus arsenais de mísseis ofensivos e defensivos muito depauperados por esta longa guerra e a da Ucrânia.
Isso é uma das razões, a outra, como notava já esta semana Jacques Baud, antigo coronel da intelligentsia suíça e da NATO, e autor de vários livros sobre conflitos na Ásia Ocidental, é que as chefias militares norte-americanas estão a perceber que os ataques aéreos não resultam como ferramenta para vergar o regime iraniano à vontade de Washington.
Noutro ponto de vista, Trita Parsi, do Quincy Institute, um fórum de discussão norte-americano focado no Médio Oriente, afasta-se da possibilidade de algo de novo estar por detrás deste truque de magia de Trump, defendendo o analista que se trata de "mais um episódio onde Trump está a ser Trump" sem que nada de fundamental seja expectável que mude.
E a demonstração disso mesmo é que o Irão mantém o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do crude e do gás mundiais, bem com dezenas de outras matérias-primas essenciais, fechado, ao mesmo tempo que tem aumentado as exigências aos EUA e aos países ocidentais para o reabrir.
E também porque os media norte-americanos estão, nestes últimos dias, a avançar com notícias que dão conta de conversas amargas entre o CEMGFA, general Dan Caine, e o Presidente e ainda entre Trump e o seu secretário da Guerra, Pete Hegseth, por causa do desaparecimento das armas nos paióis dos EUA e ainda pela ineficácia dos bombardeamentos aéreos sobre o Irão.
Se a ideia de Trump era apagar dos media a desfaçatez que lhe foi feita pelo seu maior aliado no Médio Oriente, o primeiro-ministro israelita, a propósito do seu plano de paz para Gaza com 15 pontos, que Benjamin Netanyhau recusou de forma liminar, então este pode ter sido o primeiro grande sucesso do Presidente dos EUA nesta guerra do Golfo Pérsico.
As ameaças e o "TACO"
Mas este "sucesso" não apaga o histórico das opções e decisões falhadas do Presidente dos EUA, como o mostra a cronologia das ameaças e recuos desde Março, poucos dias após o começo desta segunda vaga deste conflito, a 28 de Fevereiro deste ano.
No dia 21 de março Trump ameaçou "atacar e obliterar" a infra-estrutura energética do Irão se o Estreito de Ormuz fosse não fosse reaberto em 48 horas, mas dois dias depois recuou e adiou esses mesmos ataques por uma semana para, no fim do prazo, vir anunciar "boas conversas" com os iranianos, que sempre as negaram.
Nova ameaça e novo recuo aconteceu nos últimos dias de Março, até final da primeira semana de Abril, onde, sem que essas "boas conversas" tivessem resultado em algo palpável, anunciou a mais impactante ameaça, a 07 de Abril: "Vou mandar arrasar uma civilização inteira, vou fazê-la voltar para a idade da pedra".
Foi por esta altura que o cognome de "TACO" começou a ser aplicado a Trump no contexto desta guerra, que significa ""Trump Always Chickens Out", o que em português significa que Trump acaba sempre por ter medo e recuar, coincidindo com o facto de escassas horas após a mais verrinosa ameaça ter anunciado um cessar-fogo unilateral de duas semanas.
Duas semanas depois anunciou nova série de bombardeamentos até o Irão ceder, para substituir o cessar-fogo temporário por um sem prazo de validade...
Algumas datas ficaram famosas por renovados "TACO", como 21 de Abril, 05 de Maio, quando mandou parar a "Operação Liberdade" para Ormuz, escoltando navios, a 18 de Maio explicou novo recuo com um veemente pedido dos países do Golfo nesse sentido, nomeadamente Arábia Saudita e Emiratos.
Em Junho ameaças e recuos voltaram a acontecer a 11 e a 27, e a 01 de Agosto veio anunciar que os EUA estavam a preparar o maior ataque desta guerra e nunca vistos desde 1945, o fim da II Guerra Mundial, voltando a recuar em nome de um "acorod iminente" anunciado na sua rede social Truth Social, como quase todos os outros.
E agora, já esta semana, veio anunciar uma descida no nível de acção militar para procurar resolver o problema, subjugando o Irão através da pressão sobre a sua economia...










