Estes ataques, um no Sábado, e outro no Domingo, fizeram dezenas de mortos e centenas de feridos, obrigando à suspensão dos voos no principal aeroporto saudita, segundo a Ansar Allah, foram uma retaliação pelos ataques sauditas recentes contra o aeroporto em Sanaa, a capital iemenita.
Além disso, a Ansar Allah, conhecida também por Houthis, que governam o oeste do Iémen, incluindo a sua capital, Saná, desde 2014, quiseram igualmente ripostar os ataques sauditas a um mercado popular na capital que matou dezenas de pessoas, embora os media ocidentais tenham focado toda a atenção nas explosões no Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade.
Estes episódios são os mais recentes de uma ofensiva iniciada pela Arábia Saudita que visava apoiar o Governo do Iémen, reconhecido pela comunidade internacional, embora os Houthis detenham o poder em Saná há mais de uma década, e que começou em Junho/Julho deste ano, depois de um cessar-fogo informal que dura deste 2016.
Com forças constituídas essencialmente por milhares de mercenários africanos e do este asiático, a Arábia Saudita contava com o apoio norte-americano para esta ofensiva contra os denominados "rebeldes" iemenitas, mas Donald Trum tem recusado fazê-lo, apesar dos pedidos de socorro insistentes de Mohammed Bin Salman, o príncipe-herdeiro saudita.
E a razão, segundo alguns analistas, consiste no facto de a Ansar Allah ter agora o domínio absoluto do Estreito de Bab al-Mandeb, que liga o Oceano Índico ao Mar Vermelho/Canal do Suez, por onde passa 13% do comércio global e cerca de 10% do petróleo que abastece o ocidente.
Perante eleições em que Trump sabe serem os preços dos combustíveis o vector principal no momento de os eleitores decidirem nos EUA, a questão do controlo do Estreito de Bab al-Mandeb e a possibilidade de os Houthis puderem perturbar a circulação naval por ali, inflacionando o custo do crude e seus derivados, pelo menos até 03 de Novembro os sauditas não poderão contra com o apoio norte-americano.
É que os norte-americanos, perante a proximidade das eleições intercalares de Novembro, onde o Partido Republicano de Trump corre o risco de perder a maioria nas duas câmaras do Congresso, Representantes e Senado, segundo as várias sondagens, percebem claramente que o melhor, como sempre, é evitar mexer no ninho de vespas.
Mas pode nem ser preciso, porque o Irão, que está a gerir igualmente o seu conflito (ver links em baixo) com os EUA no Golfo Pérsico, no outro lado da Península Arábica, com o calendário eleitoral em mente, devido ao papel estratégico do Golfo Pérsico, percebeu que tem de agir agora usando a influência evidente que tem sobre a Ansar Allah, seus aliados estratégicos na região.
É que, ao abrir uma janela de oportunidade para acabar com o conflito entre sauditas e Houthis, Teerão pode estar a comprar um menor apoio de Riade aos EUA, e criar um cenário em que a Casa Branca ganhe mais flexibilidade para acabar com a guerra com o Irão.
É por isso que o Irão se ofereceu para "facilitar o diálogo" entre Arábia Saudita e Houthis do Iémen
Um momento promissor para a paz na Península Arábica
Teerão ofereceu-se para "facilitar o diálogo" entre a Arábia Saudita e os Houthis face à escalada da tensão entre os dois lados, e após ataques recentes contra o aeroporto de Riade que se seguiram aos sauditas contra o aeroporto de Saná.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros do Irão e da Arábia Saudita, Abbas Araghchi e Faisal bin Farhan Al Saud, respetivamente, mantiveram uma conversa telefónica na noite de Domingo "para abordar e trocar pontos de vista sobre os acontecimentos regionais", de acordo com uma mensagem publicada pelo chefe da diplomacia iraniana na plataforma de mensagens Telegram.
"O Irão está preparado para oferecer toda a ajuda necessária para facilitar o diálogo entre a Arábia Saudita e [os Houthis do] Iémen", afirmou Abbas Araghchi, que manifestou preocupação com a tensão crescente e, segundo a Lusa, advertiu que "insistir numa abordagem militar, ignorando as soluções políticas, complicaria ainda mais a situação".
A atual escalada entre a Arábia Saudita e a Ansar Allah eclodiu em meados de julho, quando Riade bombardeou o aeroporto da capital, Sanaa, para impedir que um avião iraniano aterrasse.
O porta-voz militar da Ansar Allah, Yahya Sarea, afirmou no Domingo, também no Telegram, que os rebeldes levaram a cabo uma "operação em três fases" contra o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, iniciada na sexta-feira à noite, sem especificar em que consistiram as três fases nem que ataques incluíram.
A Arábia Saudita anunciou três ataques contra o aeroporto da capital desde sexta-feira, que causaram mais de 15 mortos no total e centenas de feridos.
Os Houthis, que controlam Sanaa desde 2014, reivindicaram nas últimas semanas vários ataques com drones e mísseis balísticos contra instalações civis e militares sauditas, incluindo aeroportos e infraestruturas energéticas.
Os insurgentes iemenitas não são o único grupo que lançou ataques contra o território da Arábia Saudita nos últimos meses: o maior produtor de petróleo da OPEP, como recorda a Lusa, também tem sido alvo de vários movimentos armados pró-iranianos que têm visado infraestruturas energéticas e civis do reino árabe.















