Andrii Kasianov, numa cerimónia realizada na embaixada ucraniana na capital angolana, para marcar os quatro anos do início da invasão russa, apontou ainda, perante vários embaixadores doutros países, que o conflito destruiu totalmente 408 instituições de ensino e mais de 4.400 foram danificadas, o que representa um em cada seis escolas ou universidades no país.

"Hoje, a questão não diz respeito apenas à Ucrânia, trata-se do futuro da segurança europeia e mundial", assinalou Andrii Kasianov, frisando que a agressão russa constitui um desafio directo aos princípios da ONU e às normas fundamentais do direito internacional.

O diplomata citou o comandante militar ucraniano, general Sirsky, quando este referiu que as forças do país retomaram o controlo de quase 400 quilómetros quadrados do território da Ucrânia e de oito localidades na zona sul do país, para salientar que Kiev mantém o empenho nacional para garantir a soberania em todo o seu território.

"As sanções contra a Rússia devem ser reforçadas, não atenuadas", apelou, salientando que o restabelecimento da integridade territorial da Ucrânia não admite alternativas.

"Qualquer tentativa de legitimar a ocupação contradiz a Carta da ONU e compromete o próprio princípio da inviabilidade das fronteiras", notou, adiantando que a paz "não pode assentar em concessões ao agressor".

"A Ucrânia mantem-se comprometida com as soluções diplomáticas, todavia, a agressão em grande escala da Federação Russa demostrou que o caminho para a paz passa pela realização do direito internacional do Estado à autodefesa e a libertação de todos os territórios, incluindo por meios militares, de acordo com a Carta das Nações", acrescentou.

Andrii Kasianov agradeceu a Angola e pessoalmente ao Presidente da República, João Lourenço, pela posição clara e consistente de apoio à Ucrânia, à sua soberania e integridade territorial.

"É uma posição de princípio, baseada na compreensão de que sem respeito pelo direito internacional e pela Carta da ONU, não pode haver estabilidade nem na Europa e nem em África", frisou.

O novo embaixador português em Angola, Nuno Vaultier Mathias, reiterou a posição do seu país que está ao lado da Ucrânia e espera que este ano seja possível alcançar um acordo para cessar a guerra.

"São quatro anos de sofrimento para todo o povo da Ucrânia. Portugal tem vindo a ajudar a Ucrânia e defende um acordo de paz entre os dois países", acrescentou.

O Embaixador de Espanha em Angola, Manuel Maria Lejarreta Lobo, condenou uma agressão ilegal e de enorme brutalidade pela Federação Russa contra a Ucrânia.

"Os ucranianos estão determinados com ajuda da União Europeia a defender o seu território. A Espanha vai continuar a prestar a ajuda", referiu.

A embaixadora da França em Angola, Sophie Aubert, condena veementemente a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, lamentando a morte de milhares de pessoas nestes quatro anos de conflito.

"Quatro anos após a invasão russa, a guerra na Ucrânia continua sem fim à vista, com milhares de mortos, cidades destruídas. Um cessar-fogo é urgente", apelou a diplomata.