A ministra ignorou a importância, o poder e a necessidade de se estabelecer diálogo permanente com parceiros estratégicos. Os sinais da greve foram dados pelo SINPROF antes do início do ano lectivo a 01 de Setembro; houve mesmo quem defendesse que o MED devia adiar o seu IV Conselho Consultivo (realizado de 14 a 15 de Setembro em Ndalatando- Cuanza Norte) para se focar na negociação com o sindicato. E mesmo indo tarde para a negociação, Erika de Carvalho surge com muito "trungungo", um sinal de que não domina certas regras e processos no MED. A menina bonita do Executivo de João Lourenço está a revelar-se um verdadeiro erro de casting.

A publicação da Circular nesta segunda-feira, 21, a orientar as escolas públicas a "registar a ausência dos professores que aderirem à greve, para efeitos de controlo administrativo e processamento salarial" acabou aumentando ainda mais o clima de crispação entre o MED e o SINPROF. Não que à ministra não caiba esta competência, mas nesta fase delicada do processo negocial, devia ter tido outra postura.

No mesmo dia, as direcções provinciais da Huila e Uíge tornaram públicos comunicados nos quais anunciavam que nos termos da lei, "os trabalhadores são livres de aderir ou não aderir a greve, não devendo sofrer discriminação ou prejuízo por essa decisão, quando se trate de uma greve licita", apelando ainda aos intervenientes ao " respeito pela lei, ao diálogo , à responsabilidade e à preservação da paz laboral", foi uma espécie de réplica ao documento publicado por Erika de Carvalho. Nisto ainda temos a situação da reunião do dia 19 de setembro, os pronunciamentos do Secretário de Estado para o Trabalho e Segurança Social, Pedro Filipe aos órgãos de comunicação social públicos a lamentar a ausência do SINPROF ao encontro e a resposta destes últimos nas redes sociais acusando o Governo de " manipulação da sociedade e dos professores". Certo é que o Governo recuou e solicitou uma reunião com carácter de urgência que decorreu na última quarta-feira, 23 de Setembro, onde após mais de seis horas de negociações entre as partes o SINPROF conseguiu ver aprovado alguns dos principais pontos do seu caderno reivindicativo e assim criar situações para que a greve seja levantada. Na verdade, Erika Carvalho perde o primeiro embate com Edmar Jinguma. O SINPROF verga o MED.


Certo é que temos um ano lectivo a começar mal e com paralisações em todo o país, um cenário que não se verificava desde 2021. A negociação é uma arte e não se conseguem resultados com governação de "trungungo".

Nas últimas semanas, vimos um vídeo onde algumas militantes da OMA (Organização da Mulher Angolana) disputavam ferozmente um pedaço de carne. O vídeo viralizou e o assunto foi tema de conversa durante alguns dias. É uma situação que não é positiva para a imagem da organização feminina do MPLA e que deve ser evitada. Mas isto não é uma situação isolada e houve recentemente uma situação muito mais grave e que aqui relato. A OMA realizou, no mês passado, a sua II Reunião Ordinária do Comité Nacional e uma jornada política e patriótica no Namibe.

A iniciativa integrou a caravana "OMA em movimento", que decorreu de 22 a 31 de Agosto na província do Namibe. O objectivo foi a sensibilização comunitária, a formação politico-ideológica das militantes e mobilização em saudação ao IX Congresso Ordinário do MPLA. Esta "OMA em Movimento" visa "a afirmação do papel da mulher na estrutura do Partido e preparação para os desafios políticos e cívicos". Esta parte dos desafios políticos e cívicos é interessante, mostrando que ainda há muito trabalho de casa por fazer. E aqui começa a parte caricata da história.

Um grupo de delegadas do comité nacional da OMA ficaram hospedadas no Hotel Iona e fizeram o seu "forrobodó" . Organizavam jantares nos quartos, a maior parte deles bem "regados" de bebidas alcoólicas, algumas foram vistas a circular pelos quartos e no hotel bastante alcoolizadas, hoje situações em que urinaram nas camas da unidade hoteleira, danificaram estruturas nos lavabos. Houve registos de furto de toalhas, lençóis, talheres, pratos, copos e muito mais. O NJ sabe que a direccção do Hotel Yona ficou extremamente indignada e chegou a reportar ao Governo Provincial do Namibe, na pessoa do Governador Archer Mangueira, e reclamou também dos elevados prejuízos com a hospedagem das mamãs da OMA. A gestão do hotel terá mesmo dito alto e bom som: OMA aqui nunca mais!

Este episódio do Hotel Yona só vem revelar uma OMA que há muito anda em movimento contrário, uma instituição que está a regredir nos seus valores éticos e morais, que vai deixando de ser uma referenciar e autoridade moral. Carlota Dias terá muito desafios e terá de ter coragem e determinação para arrumar a casa.