A situação está a preocupar profissionais da comunicação social de diversos órgãos, devido à exigência do número do CAP na ficha de inscrição, numa acção que o Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) condena.

O partido, através do seu secretariado para a informação, ainda não veio a público esclarecer o motivo da exigência do número do CAP aos jornalistas na ficha de credenciamento para a cobertura do congresso ordinário.

Esta exigência nunca antes tinha sido feita pelo partido aos profissionais da comunicação social.

Nos congressos anteriores, o partido limitava-se a exigir uma lista dos órgãos de comunicação social com os nomes dos profissionais indicados para a cobertura. Posteriormente, os jornalistas entregavam cópias do Bilhete de Identidade e fotografias, para efeitos de controlo interno e emissão das respectivas credenciais.

Desta vez, o partido está a exigir o preenchimento individual de uma ficha de inscrição para o congresso, na qual consta o campo referente ao número do CAP.

O Novo Jornal soube que a maioria dos jornalistas não está a preencher esse campo, deixando-o em branco, mas receia que essa posição venha a condicionar a emissão das credenciais.

Pedro Miguel, secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), condena a exigência.

Para o SJA, nenhum partido deve exigir a identificação do CAP ou a apresentação do cartão de militante partidário como critério para permitir a cobertura das suas actividades.

O Sindicato dos Jornalistas Angolanos apela à classe jornalística para ignorar esse campo, ou seja, não o preencher.

A exigência do número do Comité de Acção do Partido aos jornalistas, segundo o secretário-geral do SJA, entra em conflito com o estatuto do jornalista e o código de ética.

"O jornalista não pode exercer militância partidária activa nem ocupar cargos de direcção partidária enquanto estiver no activo. É considerado uma incompatibilidade", afirmou Pedro Miguel.