O tribunal ouviu também todas as testemunhas arroladas no processo, entre elas o antigo embaixador de Angola em Portugal, Marcos Barrica, e a ex-cônsul-geral de Angola em Lisboa, Cecília Baptista, esta última ouvida por videoconferência.
Para esclarecer algumas dúvidas, o tribunal decidiu arrolar, nesta fase, outras testemunhas para o processo, entre elas altos responsáveis de departamentos do Ministério das Finanças e do MIREX.
O Ministério Público (MP) acusa o antigo chefe da diplomacia angolana do crime de peculato e o empresário Bartolomeu Dias, proprietário do Grupo Bartolomeu Dias, do crime de burla.
Em causa está a suspeita de desvio de mais de 15 milhões de euros que se destinavam à instalação da Embaixada de Angola em Portugal.
Cecília Baptista, antiga cônsul-geral de Angola em Lisboa, confirmou ter recebido de Angola o pagamento das verbas para a aquisição do imóvel que serviria de embaixada.
Já Marcos Barrica, então embaixador de Angola em Portugal, afirmou que desfez o contrato por ter tomado conhecimento apenas posteriormente de que o mesmo já estava pago, uma vez que não assinou qualquer ordem de pagamento.
A acusação diz que o imóvel adquirido pelo Estado angolano foi posteriormente vendido a um terceiro.
Após notificar as novas testemunhas, o tribunal marcará uma nova data para retomar a instrução.
A instrução contraditória não é, propriamente, o julgamento, mas uma fase processual em que os arguidos podem apresentar os seus argumentos e meios de prova, cabendo ao juiz decidir se o processo segue ou não para julgamento.
Georges Chikoti liderou o MIREX entre 2010 e 2017 e, em 2020, assumiu o cargo de secretário-geral da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OEACP). Bartolomeu Dias é fundador de um dos maiores conglomerados privados do País.
