Petróleo: OPEP prepara-se para manter cortes na produção, mas esta estratégia pode pegar fogo

Novo JornalPublicado 17/04/2017 11:50:00

Em Junho, a OPEP e os seus aliados na "guerra" contra os preços baixos do barril de petróleo, onde se inclui a Rússia, vão ter de decidir de prolongam o acordo de 31 de Novembro de 2016 que definiu um corte na produção de 1,8 milhões de barris por dia. Se optarem pela continuação dos cortes, há riscos, se decidirem acabar com os cortes, pode ser perigoso. Não está fácil a vida para os Países Exportadores de Petróleo, com Angola muito atenta ao que se vai passar...

O mínimo que se pode dizer sobre o resultado do acordo que em Novembro do ano passado juntou os países da OPEP e alguns produtores não cartelizados, com destaque para a Rússia, o segundo maior produtor mundial a seguir à Arábia Saudita, que integra a organização, e os EUA, fora da OPEP mas uma das possíveis origens dos perigos, é que as coisas estão a correr bem, tendo em conta que os preços galgaram da casa dos 20 para os actuais 56 USD.

Mas, para evitar um refluxo na actual tendência de subida, a OPEP+Rússia têm um passagem estreita para percorrer. Como lembra Myra Saefong, uma especialista em mercados da Market Watch, se a OPEP e a Rússia seguirem o caminho da manutenção dos cortes, é evidente que os preços vão, pelo menos por uns tempo, manter a tendência de subida, mas isso vai levar a industrial petrolífera dos EUA, o segundo maior produtor do mundo, a aumentar a extracção, seja nas suas plataformas convencionais, seja na área do "fracking", ou no também chamado petróleo de xisto, o que, a prazo, levará a um pressão em baixa dos mercados por causa da subversão da lógia actual de menor oferta face à procura.

Já se a opção, cuja data limite para a tomada da decisão é Maio, onde os países OPEP e Rússia vão reunir para decidir, for dar por findo o compromisso de cortes, então o resultado será uma diminuição imediata nos preços porque, apesar de se ter assistido a um aumento da procura, em condições normais a produção ainda supera o apetite global pelo "ouro negro", tendo em conta que, à data do acordo assinado em Viena de Áustria, o excesso era de quase 1,5 milhões de barris por dia (bpd) e os cortes de 1,8 milhões, deixou o mercado com um défice de 300 mil bpd.

O quadro actual aponta, segundo as contas feitas por diversos organismos internacionais, para o cumprimento do acordo de quase 100 por cento - onde Angola contribuiu com um corte de 78 mil bpd - fazendo o barril crescer mais do dobro deste que a OPEP divulgou a intenção de avançar para os cortes, entre Março e Abril do ano passado, onde o barril estava abaixo dos 30 USD.

O que os especialistas admitem como mais razoável é que a política de cortes se mantenha, até porque os resultados têm sido satisfatórios, havendo mesmo já algumas indicações de que esse será o caminho, com, por exemplo, o Irão a afirmar-se disponível para manter o compromisso de não aumentar a sua produção, tendo já a Arábia Saudita e a Rússia admitido igual possibilidade.

Todavia, há cenários fora deste contexto a serem equacionados, como, por exemplo, os conflitos que grassam no Médio Oriente, com destaque para a Síria e o Iraque, e ainda no Norte de África, com a produção líbia seriamente afectada por novas investidas bélicas nas áreas de produção, ou o mesmo na Nigéria, devido às guerrilhas a operar no Delta do Níger.

Se estes conflitos levarem, ou consolidarem a actual baixa da produção nestes países, os restantes exportadores podem olhar para a situação e concluir que os conflitos estão a segurar a produção global e podem retomar a produção sem afectar drasticamente o equilíbrio actual entre a oferta e a procura.

A 25 de Maio saber-se-á o que vão fazer os países da OPEP e a Rússia, mas a aposta mais segura, segundo os analistas, é que os cortes se mantenham, especialmente porque se crê que a indústria do "fracking" norte-americana sabe que se aumentar muito a produção, criará um refluxo nos mercados, e está poderá não aguentar uma nova sucessão de falências nas empresas que apostaram neste sector, como aconteceu em 2015, quando a baixa do barril deixou centenas de empresários com os... baldes na mão e a torneira do crédito bancário fechada.

A perspectiva de Angola, atendendo ao que o ministro dos Petróleos, Botelho de Vasconcelos já disse sobre o assunto, e o que pensa a presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Isabel dos Santos, permite concluir que a política de cortes é a que melhor se ajusta aos interesses do país.

Isto, porque Botelho de Vasconcelos apontou a casa dos 70 USD como a fasquia ideal para Angola e Isabel dos Santos já admitiu que os actuais preços, entre os 55 e os 57 dólares permite olhar para as coisas com algum conforto, levando em linha de conta que o país conseguiu diminuir os custos de extração por barril.

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