A dupla exibição inaugura-se na próxima semana no Camões - Centro Cultural Português com a mostra 'Retalhos de Angola', na qual a assinatura de Marcela Costa se expressa em 22 trabalhos de tapeçaria, incluindo 13 inéditos.
As obras, que marcam o regresso da artista às exposições - após 10 anos de ausência, preenchidos pela fundação e gestão da sua própria galeria (Celamar) -, prometem "revisitar a cultura tradicional" do país, "com incidência particular nos povos do Sul".
A viagem - segundo se antecipa no cartão-de-visita da mostra, patente de 10 a 20 de Março - começa desde logo nos materiais utilizados: Tecidos, esteiras, missangas e tintas. Dois dias depois da manifestação retalhada, acompanhada do lançamento da biografia da artista - intitulada 'Marcela, Filha de Angola'-, o Camões abre espaço à apresentação de 'A Modernidade Ignorada. Arquitectura Moderna de Luanda'.
Aberta ao público de 12 a 25 de Março, a exposição do traçado da capital integra-se num projecto conjunto de investigação académica, que une três instituições: A Universidade Agostinho Neto, a Universidade Alcalá, de Espanha, e a Universidade Técnica de Lisboa, em Portugal.
Com painéis didácticos e fotografias, a mostra arquitectónica exibe-se como um alerta contra a degradação dos edifícios luandenses, e como um abre olhos para a necessidade de se conservar a personalidade da cidade - ameaçada pelo acelerado crescimento urbano e pela importação cega de conceitos globais. Por isso, mais do que um convite à observação, o programa apela à reflexão, concretizada através da mesa redonda 'Património Arquitectónico Moderno', pela qual vão circular as perspectivas de especialistas, académicos, empresas e instituições.
Além do espaço Camões, o projecto - nascido para estudar e divulgar a traça moderna da África subsaariana -, percorreu um punhado de países, com uma série de iniciativas. O mapa de promoção arquitectónica conta-se já por paragens em Portugal, Espanha, Chile e Itália. Agora em Luanda, a iniciativa académica encaminha-se para um novo destino: A rede global, onde se prepara o lançamento do site que vai alojar toda a informação sobre o projecto. Com destaque para um catálogo dos edifícios mais representativos da capital.

