É nesta senda que surge Beto de Almeida que, junto do irmão mais velho, Moniz, começa a trilhar um caminho em que havia ainda muito por percorrer.

A trajectória da música angolana, na linha que começa no final da década de 1980 até aos dias de hoje, passa necessariamente por Beto de Almeida, quando nos referimos à nova geração.

O artista que, junto do irmão, Moniz de Almeida, decidiu formar um dueto de onde nasceriam temas de passagem obrigatória na estrada do sucesso, contidos em obras que hoje quem não as tem poderá não ter mais. Kimbanda/Pico/Almeizy/ Invisível/The Best+5 acaba por ser o conjunto da Obra editada, antecedidos por um LP (Long Play ou disco vinil) em que a voz de Moniz de Almeida, já com o suporte de Beto, este ainda no anonimato, dá vida ao grande sucesso Tio Zé , vencendo na época uma das edições do Top dos Mais Queridos, da Rádio Nacional de Angola.

Passando por todos estes sucessos, o disco Cara de Pau evidencia ainda mais o potencial deste artista que viria a dar muito mais para a música angolana. Sempre disponível para a música é assim que Adão Filipe, actual director da Rádio Benguela, caracteriza o artista com quem teve a oportunidade de trabalhar como promotor, sendo este um dos responsáveis pela sua projecção no mercado musical.

Muito antes do seu desaparecimento físico vir a ser uma realidade, o radialista evidenciou as qualidades de artista, enquanto autor e intérprete, afirmando que Beto de Almeida estava ao nível de qualquer artista angolano de primeira linha, não só pela qualidade e estrutura, mas também pelo conteúdo que dá corpo aos seus temas.

A indiscutível voz que se cala, ficando apenas os registos em grandes sucessos como É duro, Guilhermina ou ainda Morainha, manteve sempre o seu nível, granjeando respeito no seio de muitos artistas, sobretudo de artistas que, de há um tempo para cá, começaram a fazer parcerias em muitas produções, como são os casos de Presilha e Livongh.

Os resultados denunciavam uma evidente cumplicidade naquilo que estes jovens produziam com o selo vocal de Tchuma como também era chamado. A adaptação às novas tendências não constituíam problema para este artista e a surpresa surgiu com o tema Balumuka, onde ainda não se deixou ultrapassar pela força da sonoridade, deixando bem patente a sua marca, que aliás, o distingue de muitos outros artistas que faziam questão de o apelidar de Mestre.

O que se pode dizer em relação a Beto de Almeida não se resume nesta simples página de jornal, que acaba por representar uma homenagem que este semanário faz a este autor e intérprete cujo carácter reservado nunca deu espaço para uma entrevista que pudesse ficar nos registos das suas publicações. Beto de Almeida, com quem tivemos a oportunidade de ter alguns momentos de conversa, sempre manteve a firmeza nas ideias que tinha, como resultado dos anos de estrada, quando a abordagem era a música e tudo o que estava à volta desta arte.

O princípio de uma trajectória Salú Gonçalves confidencia-nos que no fim dos anos 80, sob liderança de Lé Cordeiro (pai do Anselmo Ralph), o NAI (Núcleo dos Amigos da Infância) foi à cidade do Lubango realizar o bem sucedido show Café com Leite.

Naquela ocasião, o agora director da Rádio Kwanza Sul conheceu o Beto Viola. Segundo as suas palavras, um puto cuja fama era grande por aquelas bandas. Com efeito, Hirondino Garcia, à cabeça do Afro Club Doce Compasso, disse que tinham que pôr esse puto em palco e o resultado foi mais do que o esperado.

Naquela época a dança mandava, mas também havia a música, sobretudo a infantil. Segundo o radialista, através de Adão Filipe, Moniz de Almeida produziu as primeiras músicas do Bloco Azul, onde estão bem patentes as suas impressões digitais cantando, sugerindo, escrevendo, na BMax Estúdios. Em 2010, enquanto coordenador do Top dos Mais Queridos, a música Duas, criou barulho, pelo conteúdo e muitas queixas de várias mulheres, mas a RNA, apenas respeitou o voto dos seus ouvintes e essa votação deu aos Irmãos Almeida, o segundo lugar daquele concurso.