Homens, mulheres e crianças, com botijas de gás, televisores e outros electrodomésticos, fogem do Tchipiandalo, onde existem dezenas de casas destruídas e famílias desalojadas em consequência das chuvas no interior da província.

Informações recolhidas pelo NJ indicam que o medo tomou conta de cidadãos em diversos bairros, incluindo Calomanga e Massangarala, havendo relatos de pessoas aos gritos nos telhados das casas.

"Vivo na Calomanga há quase vinte anos, nunca tinha visto coisa igual, isso está muito grave", desabafa um morador.

Há uma semana que várias famílias optaram pela praia para sobreviver, em tendas, enquanto aguardam pelo prometido apoio das autoridades.

Chove, de forma irregular, no litoral - Benguela, Lobito, Catumbela, Navegantes e Baía Farta - , mas são sobretudo as enxurradas no interior da província que estão na base do transbordo do Cavaco.

Aliás, as chuvas no Caimbambo destruíram, nas últimas horas, a ponte sobre o rio Halo, cortando a ligação rodoviária Benguela/Huambo pela EN 250.

É notório o movimento de viaturas do Serviço de Bombeiros e Protecção Civil em direcção aos bairros afectados.

Na última semana, enquanto especialistas insistiam em falhas das autoridades na prevenção, o governador provincial, Manuel Nunes Júnior, assumiu alguma culpa das Administrações Municipais, alegando permissividade em relação à construção em zonas de risco.

Os dados provisórios apontavam para 27 mortos e mais e duzentas casas destruídas.