Num espectáculo repleto de som, luz e muita animação, os fãs, que começaram a preencher o espaço desde às 17 horas de sábado, tiveram mais de sete horas de muita boa música, com estilos diversificados (semba, kizomba, house music e samba).

Com um guião bastante rico e variado, para atender todos os gostos musicais, o show, aberto por volta das 20 horas pela angolana Pérola.

Em pouco mais de 30 minutos de actuação, a jovem cantora angolana tratou logo de inicio mostrar os seus argumentos e a razão de estar entre as melhores vozes femininas do país, não deixando margens para dúvidas.

Do semba, kizomba ao tradicional, Pérola preparou o palco para a entrada em cena da banda cabo-verdiana Livity, comandada pelo vocalista Jorge Neto e pelo baterista e vocalista Grace Évora. Em cena, os cabo-verdianos aqueceram os fãs com termas como felicidade, Rosinha, Coração Blue e Sem ninguém, mostrando que apesar da idade ainda estão em forma para o que der e vier no que a música diz respeito.

Com as emoções ao rubro e recebendo o testemunho da banda Livity, Yuri da Cunha "assaltou" o palco e deu o seu show a parte, tratando de incluir na sua actuação o humorista Calado Show.

Numa intercalação entre a música e o humor, os dois artistas animaram a plateia com um repertório rico e deixando o peso da responsabilidade da animação da noite para o compatriota Matias Damásio. O autor do Kwanza Burro, quando chamado ao palco agarrou no microfone só para o largar no final da sua actuação, também de 30 minutos, não sem antes manter um dialogo intenso com os presentes.

Como puro mwangole e defensor da rítmica nacional, concretamente o semba, Matias Damásio deixou o seu cheiro em palco e abriu portas para um estilo que de um tempo a esta parte tem conquistado mercado no país: o house music. Sob responsabilidade do grupo Mi Casa, constituída por sul-africanos e portugueses. Numa dura missão de rivalizar com os angolanos, particularmente o semba, o grupo viu o seu esforço recompensado, pois teve no público uma receptitivade aceitável.

Aliando a música e a dança, o vocalista do grupo conseguiu convencer o público e recebeu destes a devida compensação: muitas palmas.

Apesar do cansaço e do chuvisco que se fez sentir nas últimas duas horas de actividade, o público manteve-se fiel e ainda testemunhou a entrada do grupo B4 (Big Nelo e C4Pedro). Para a satisfação dos fãs, os dois foram buscar no baú os temas do álbum Los Compadre, cujas músicas têm bastante saída entre os jovens.

O fecho das cortinas esteve a cargo da electrizante brasileira Ivete Sangalo que, com o seu samba, levantou a poeira e tirou o cansaçºo de quem dava mostras de não aguentar mais. Num ápice, o público passou do desespero ao desejo satisfeito, pois muitos deles só marcaram presença na Baia de Luanda para ver e ouvir a brasileira.

Ajudando na interpretação dos temas escolhidos pelos artistas da noite, os fãs saíram do local com todos "os desejos" realizados, fruto da qualidade musical e da riqueza do guião preparado para o efeito.

Angop / Novo Jornal