Seu nome verdadeiro, Francisco Mota Manuel, vulgarmente chamado de Mota. Tem 24 anos, natural de Luanda e é filho das ruas do Bairro do Prenda, onde vive até hoje. Apesar de vir de uma família humilde, e de ter passado por inúmeras dificuldades na infância e adolescência, conta que a sua família sempre cultivou valores morais, culturais, religiosos e sociais, e viu na formação um meio para o desenvolvimento e a dignificação dos homens.

Por esse motivo sempre se preocuparam com os estudos do jovem músico dedicando-se em grande medida aos livros e aos cadernos. Paralelamente à música, Mota trabalha no departamento de reservas do Hotel Continental e frequenta o quarto ano do curso de Direito na Universidade Lusíada de Angola.

Começou a ouvir rap aos 12 anos de idade por influência de um irmão que gostava muito desse estilo de música. Familiarizou-se com o Movimentoem 2002 quando passou a estudar no Mutu ya Kevela, escola que serviu de palco para muitos jovens que tinham habilidade para fazer batalhas verbais e que se impunham no liceu através das palavras e rimas.

As suas maiores influências no rap lusófono são os músicos Gabriel O Pensador; Bob da Rage Sence; Valete e Mc K, por fazerem músicas com teor interventivo o que o faz rever-se nos conteúdos pelos mesmos abordados. Segundo o próprio, foi o facto de viver numa zona suburbana cuja realidade social é dura, acompanhado das dificuldades ao longo da sua infância, que o fizeram adoptar o underground.

Atendendo ao seu grau académico e às suas preocupações de cariz social, tem-se pautado pela preocupação da qualidade na sua música, como forma de contribuir não unicamente para o desenvolvimento do rap, como também da própria sociedade. Por isso, nas suas letras, tenta mostrar aos jovens que têm as mesmas pretensões, que neste período da sociedade angolana é necessário que demonstrem desenvoltura intelectual para em conjunto construírem uma sociedade melhor, mais justa e harmoniosa.

Mota acredita que só através do conhecimento será possível ajudar a reconstruir o país. Infelizmente, mesmo com os cadernos cheios de líricas, até ao momento teve a oportunidade de gravar apenas uma música intitulada Nós somos. Na mesma procurou fazer crítica social, no que concerne à salvaguarda de valores éticos e culturais, já que acha que nos dias de hoje as pessoas preocupam-se mais com actividades recreativas do que educacionais. A música foi gravada no âmbito daquilo que viria a ser a sua mixtape, e contou com a produção de Detergente, e a participação de Kelby Mc, seu parceiro de batalhas de rompimento e do grupo Kave 28.

Foi obrigado a suspender a gravação da mixtape, pelo facto de ser trabalhador estudante e ser difícil conciliar ambas as ocupações com a música. Recentemente tem conseguido reunir muito de público desde que se juntou ao projecto de batalhas verbais organizado nas ruas da capital pelo músico da editora Mad Tapes, Fly Skuad.

Durante as últimas temporadas do concurso denominado Reis do Rompimento, tem tido êxitos dada a sua grande capacidade criativa que entrelaçada com a sua humildade formam um bom conjunto. Até ao momento tem sido a sensação do público que afirma que ele é o candidato ideal a vencer a final da presente edição.

A própria organização do concurso surpreendeu-se com a sua participação ao ponto de alegar que o mesmo elevou a fasquia das batalhas a um nível nunca visto antes. Segundo a organização do concurso, Mente Mágika ficou marcado na historia do rompimento em Angola, dada a hermenêutica que utiliza nos seus combates, sendo que o seu segundo combate não chegou até ao fim conforme mandam as regras da competição, em razão da disparidade entre o mesmo e o adversário, ao ponto do próprio do publico considerar um K.O, e atribuir de imediato a vitória ao artista.

Em relação à carreira musical, o músico tem como objectivo lançar um álbum e posteriormente um livro, a retratar a realidade das ruas em Angola.