Desde o pontapé de saída, Portugal tomou de assalto toda a largura do terreno. Os cavalos lusitanos subiram e desceram sem oposição, enquanto os uzbeques pareciam limitados a acompanhar as movimentações com os olhos. A antecipação tornou-se uma constante e deu lugar ao 1-0 de Cristiano Ronaldo.
Aos seis minutos, num movimento típico, CR7 apareceu a finalizar de pé direito após cruzamento rasteiro de João Cancelo. Era o sexto Mundial consecutivo a marcar. Algo sem precedentes.
O que aconteceu em Houston, esta terça-feira, foi apenas mais um capítulo de uma história repetida: a de Cristiano Ronaldo a aparecer nos grandes palcos, seja em fases de qualificação para Europeus e Mundiais, seja na Liga dos Campeões.
Esta podia ser uma nota de rodapé numa carreira escrita em letras garrafais, mas torna-se na manchete quando se reconhece que a força mental sustenta a inevitabilidade de um craque com letra maiúscula.
Aos 14 minutos, a "selecção das Quinas" beneficiou de um livre frontal. Parecia que teríamos mais uma hipótese para o madeirense cobrar. Contudo, quem pegou na bola foi o lateral do bicampeão europeu Paris Saint-Germain, Nuno Mendes.
Aos 17 minutos, o produto das camadas jovens de Alcochete fez a bola sobrevoar a barreira e todo o Estádio NRG gritar o segundo golo da tarde.
O domínio prosseguia. Porém, aos 30 minutos, os asiáticos até celebraram a bomba de Aziz Ganiev, anulada pelo sistema de vídeo-árbitro (VAR) após um derrube anterior sobre João Cancelo.
Os portugueses baixaram a toada. Decorridos dez minutos, tiveram um contra-ataque e capitalizaram da melhor maneira. Foi mais um daqueles momentos que relembram os tempos áureos de Ronaldo, que com um remate rasteiro e a calma de um matador nato desferiu um golpe letal nos uzbeques.
Foi o décimo golo do internacional luso em Mundiais, superando Eusébio em número de tentos, embora não o tenha feito numa só edição. O Pantera Negra marcou nove em 1966.
A desorientação do Uzbequistão não melhorou com a ida para os balneários. No regresso, aos 60 minutos, Bruno Fernandes cobrou um canto que ficou a pingar na área asiática como uma torneira aberta prestes a causar uma enchente. Um toque de calcanhar de João Félix acabou por salpicar o guarda-redes Abduvokhid Nematov, que ficou ligado ao auto-golo.
Aos 82 minutos, o técnico Roberto Martínez lançou Rafael Leão para rasgar a caravana uzbeque ao meio.
Com o jogo resolvido, o ponto de exclamação foi colocado pelo recém-entrado atacante do AC Milan, que rematou fortíssimo para o lado descoberto.
Este triunfo dá quatro pontos à "selecção das Quinas", que vai aguardar pelo desfecho da Colômbia frente à RDC mais logo.
