Tudo começou quando uma jovem que perdeu os pais no acidente da madrugada de segunda-feira, 03 (ver links em baixo), se dirigiu à equipa de trabalho, já com técnicos do Laboratório Central de Criminalística de Luanda, e afirmou, aos gritos, que "o processo está muito lento, é muita dor nas famílias".

A mesma postura crítica, mas com outras frases, foi, tal como verificou o Novo Jornal, adoptada por outros familiares de vítimas, também exaltados, à espera do início dos trabalhos.

Perante o cenário de agitação, o director provincial interino do SIC-Benguela, Mateus da Costa, tratou de acalmar os ânimos com um pedido de desculpas, realçando que se trata de um processo complexo.

"A vinda da equipa de Luanda não significa que o trabalho está fechado, pedimos paciência", frisou o oficial.

Com o ambiente mais calmo, a médica legisla Fátima de Almeida, única no Centro Sul do País, disse que a recolha de amostras - sangue e saliva - junto de familiares directos deverá estar concluída até amanhã.

"Falamos de familiares do primeiro grau, como pai, mãe ou filhos, já que, inicialmente, apareceram tios e cunhados", notou a especialista, agora em companhia de três colegas. Dois auxiliam na recolha de amostras, cumprido que foi o mesmo procedimento junto dos cadáveres, e outro, um agente de campo, na questão fotográfica.

Fátima de Almeida, professora de Medicina Legal, avançou que o passo seguinte vai ser a formulação dos processos das vítimas e familiares, o último gesto antes do envio das amostras para o Laboratório de Luanda, Direcção de Genética.

"Provavelmente a partir de amanhã, tudo vai depender", assegurou a médica, antes de ter informado que quatro corpos, das vítimas da motorizada que colidiu com o autocarro da Macon Transportes, já foram identificados.

Tratando-se de cadáveres íntegros (não carbonizados), sem lesões na face, os familiares identificaram através de elementos como falta de dente, defeito numa mão, vestuário e cinto. Tanto é que, segundo a profissional do SIC, familiares de três vítimas, após a recepção da verificação do óbito, levaram já os corpos ao Cuanza Sul, o mesmo destino do quarto.

À chegada dos 22 cadáveres transportados do Sumbe para a mortuária do Hospital Central, há três dias, pairava o receio de sobrelotação da morgue, um cenário recorrente, com consequências na conservação.

Com 36 gavetas, algumas já ocupadas, a morgue acabava de "perder" 61 por cento da sua capacidade só em consequência da tragédia na EN/100.