Foi no Estádio de Arrowhead, em Kansas City, que a "La Scaloneta" colocou a máquina em movimento e derrotou a Argélia por 3-0 na primeira jornada do Grupo J. Quis o calendário que os argentinos regressassem ao mesmo reduto para defrontar uma Suíça desfalcada de Johan Manzambi, uma das revelações do torneio, mas que, 72 anos depois, voltava a sentir o peso dos quartos-de-final de um Mundial.

Os comandados de Murat Yakin entraram em campo com a lição estudada dos embates frente a Cabo Verde e ao Egipto, nos quais os sul-americanos revelaram dificuldades para impor os seus princípios de jogo.

No entanto, nas duas primeiras vezes em que Lionel Messi cobrou cantos, a primeira criou perigo e a segunda resultou no 1-0 de Alexis Mac Allister. O jogador dos "Reds" explorou a marcação zonal dos europeus e introduziu, de cabeça, o esférico na baliza de Gregor Kobel.

Antes do intervalo, a engrenagem helvética demorou a carburar. Porém, na segunda parte, os homens dos Alpes escalaram até ao território argentino com maior frequência. O atrevimento suíço deu a Dan Ndoye liberdade para explorar os corredores que iam surgindo nas costas da defensiva da equipa de Lionel Scaloni. Quando se abriu uma clareira de fora da área, Granit Xhaka testou a atenção de Emiliano Martínez, que teve de fazer uma defesa apertada aos 66 minutos.

O golo do empate surgiu com a precisão dos ponteiros de um relógio que nunca deixam de trabalhar. Nahuel Molina ficou nas covas e, numa combinação rápida entre Dan Ndoye e Ricardo Rodríguez, coube a Dan Ndoye, na cara do golo, definir com mestria.

Numa altura em que os europeus cresciam, Breel Embolo, que vinha sendo uma das principais referências ofensivas suíças apesar da vigilância de Lisandro Martínez e já tinha recebido um cartão amarelo na primeira parte por uma entrada sobre Leandro Paredes, acabou expulso após intervenção do VAR. O episódio aumentou a tensão numa partida em que a campeã mundial carregava ainda as críticas levantadas pelo seleccionador egípcio Hossam Hassan, que acusara a "Albiceleste" de beneficiar de decisões favoráveis.

Com isso, a "Albiceleste" procurou libertar Lionel Messi, que estava bem vigiado pelos adversários. O 10 chegou a ter o golo nos pés, mas atirou ao lado com o pé menos preferido, enquanto Lisandro Martínez, num pontapé acrobático, foi negado por Gregor Kobel antes do prolongamento. Tal como tinha ocorrido diante dos "Tubarões Azuis" e dos "Faraós" nos dezasseis-avos de final e nos oitavos de final, Lionel Scaloni mexeu no xadrez e voltou a ter influência directa no triunfo.

Desta vez, o protagonista inesperado foi o jogador do Palmeiras, Flaco López, que desempenhou um papel crucial ao atrair a atenção da linha defensiva helvética e soltar Julián Álvarez para um remate em forma de bomba que abalou a esperança europeia de alcançar as meias-finais.

Entretanto, Lautaro Martínez, também suplente utilizado, facturou pela segunda jogo consecutivo. A Argentina, mais uma vez, teve de saber resistir e sofrer para puxar dos galões e avançar. O próximo embate dos herdeiros de Diego Maradona será diante da Inglaterra, na quarta-feira, 15 de Julho, às 20:00 (hora de Angola).