Apesar deste país vizinho de Angola, para onde exporta uma parte dos seus excedentes, ter duplicado a produção de milho nas últimas duas décadas, as prolongadas secas e pragas levaram a uma redução da produção nos últimos anos, com uma acentuada quebra nas épocas de colheita 2022/23.

A produção zambiana de milho, o principal cereal de base da alimentação da população da África subsaariana, foi, na última colheita, de 3,3 milhões de toneladas, que compara com as 3,6 milhões de toneladas na colheira de 2021/22.

Face a este cenário, o ministro da Agricultura da Zâmbia, Reuben Phiri, citado pela imprensa, avançou esta semana que as restrições às exportações de milho integral e de farinha de milho vão manter-se até que este contexto seja alterado.

"O interesse do país, e da segurança alimentar, são a prioridade do Governo e estão acima de todos os outros interesses", disse Phiri, referindo-se ao sector exportador agrícola do país, que nas últimas décadas ganhou uma preponderância invejável no contexto da África Austral, que partilha com Angola e mais oito países.

Para garantir que se trata de uma medida para levar a sério, o Executivo de Lusaca colocou unidades militares a vigiar as estradas principais de saída dos produtos agrícolas para a sub-região, onde se encontra Angola, com uma fronteira comum de 1.100 kms.

Em África, os maiores produtores de milho são a Nigéria, com 33 milhões de toneladas, seguindo-se a África do Sul, a Etiópia e o Egipto, este com cerca de 7 milhões, quase o dobro da produção actual zambiana.