Mas não os angolanos, que, depois de na semana passada foram castigados com a obrigação de pagar uma caução de até 15 mil USD para obtenção de um visto de entrada nos EUA, foram agora poupados a esta humilhação de aparecer na lista dos "malditos".
Isso, porque a Administração Trump pretende, com esta medida draconiana, assinada por Marco Rubio, o secretário de Estado e Conselheiro de Segurança do Presidente, um filho de imigrantes cubanos, restringir a entrada no país a milhões de africanos, asiáticos e centro e sul-americanos.
Na lista estão países como o Brasil e Cabo Verde, os dois únicos lusófonos, mas dela consta ainda Rússia, sendo África o continente mais representado, com 26 países cujos cidadãos passam a ficar impedidos de aceder a visto de emigração para os EUA.
A justificação oficial para esta medida é que Washington quer deixar de ter a entrar nos EUA pessoas que possam vir a constituir um encargo para as finanças públicas, segundo estão a noticiar os media norte-americanos a partir de um memorando do Departamento de Estado.
De acordo com esse documento, que foi avançado inicialmente pela Fox News, a Administração Trump ordena aos funcionários consulares para, a partir de 21 de Janeiro, recusarem atribuir vistos a cidadãos destes 75 países enquanto é reavaliada a capacidade de triagem dos candidatos.
Medida que permite perceber que a porta vai manter-se fechada para novos imigrantes destes países (ver lista em baixo) pelo tempo que for considerado necessário por Donald Trump, o mesmo é dizer que pode ser infinitamente.
Algumas excepções são acopladas a esta regras, como, por exemplo, o candidato a este tipo de visto ser considerado relevante para os interesses nacionais dos EUA.
Uma das razões possíveis para que os angolanos tenham sido poupados a esta lista é o interesse efectivo e geoestratégico que o país tem actualmente para Washington, nomeadamente devido à relevância que os EUA estão a atribuir ao projecto do Corredor do Lobito, que permiotirá fazer chegar ao porto do Lobito os vagões carregados das "terras estretégicas" congolesas.
Projecto que é visto como essencial pelos norte-americanos no contexto da batalha global das grandes potências pelos minerais estratégicos para as suas industrias 2.0, onde a RDC emerge como de especial relevância enquanto fornecedor bruto, embora, curiosamente, este país vizinho de Angola esteja nesta lista agora divulgada.
Note-se que 21 de Janeiro é a data definida pelos EUA para que os cidadãos de alguns países, onde curiosamente está Cabo Verde, que, no entanto, reaparece nesta nova lista - que não foi divulgada oficialmente nos media mas sim através de uma fonte interna - , o que admite que sobre Angola pode ter havido um engano, passem a ter de pagar uma caução que pode ir até aos 15 mil USD.
Como o Novo Jornal noticiava a 07 de Janeiro, os angolanos que queiram viajar para os Estados Unidos da América vão ter de pagar uma caução de até 15 mil dólares para o poderem fazer, a partir de 21 de Janeiro, aplicando-se a medida para os vistos de negócios e de turismo B1 e B2.
O montante será determinado "por um funcionário consular durante a entrevista de visto" e "a caução será reembolsada se o titular cumprir todas as condições do visto e sair dos Estados Unidos antes do termo do período de permanência autorizado", segundo avança a Lusa.
Os vistos B1/B2 válidos já emitidos mantêm-se válidos.
O pagamento da caução não garante a concessão do visto, mas o montante será reembolsado caso o visto seja recusado ou quando o titular do visto demonstre que cumpriu os respectivos termos.
Trump já tinha ordenado a proibição total de entrada nos EUA para cidadãos do Afeganistão, Burkina Faso, Chade, Eritreia, Guiné Equatorial, Haiti, Iémen, Irão, Laos, Líbia, Mali, Myanmar, Níger, República Democrática do Congo, Serra Leoa, Síria, Somália, Sudão e Sudão do Sul.
A lista dos 75 países que passam a ver restringido o acesso aos EUA através de vistos migratórios é a seguinte:
Brasil
Afeganistão
Albânia
Antígua e Barbuda
Argélia
Arménia
Azerbaijão
Bahamas
Bangladesh
Barbados
Belize
Bielorrússia
Bósnia
Butão
Cabo Verde
Camboja
Camarões
Cazaquistão
Colômbia
Costa do Marfim
Cuba
Dominica
Egipto
Eritreia
Etiópia
Fiji
Gâmbia
Gana
Geórgia
Granada
Guatemala
Guiné
Haiti
Iémen
Irão
Iraque
Jamaica
Jordânia
Kosovo
Kuwait
Laos
Líbano
Libéria
Líbia
Macedónia do Norte
Marrocos
Mianmar
Moldávia
Mongólia
Montenegro
Nepal
Nicarágua
Nigéria
Paquistão
Quirguistão
República Democrática do Congo
República do Congo
Rússia
Ruanda
Santa Lúcia
São Cristóvão e Névis
São Vicente e Granadinas
Senegal
Serra Leoa
Síria
Somália
Sudão
Sudão do Sul
Tailândia
Tanzânia
Togo
Tunísia
Uganda

