O fecho desta estreita passagem marítima, com cerca de 33 kms de largura, mas apenas 2,5 kms navegáveis pelos grandes petroleiros, está, segundo os media iraniano e as agências de notícias, através de mensagens rádio enviadas para os navios em curso na região.

Nessa mensagem é dito aos capitães de todas as embarcações que a passagem no Estreito de Ormuz "não é permitida", o que é mais um conselho que um impedimento físico, mas os destinatários da mensagem sabem que basta ao Irão espalhar minas navais na área para que a passagem deixe de ser segura.

No pior cenário, os iranianos afundam alguns navios velhos na passagem e esta deixa de estar disponível por largos meses, mesmo depois de a guerra acabar, se não se revelar de longa duração.

As consequências deste gesto são óbvias e na próxima segunda-feira, dia 02 de de Março, os mercados petrolíferos devem viver um período de grande efervescência com os preços a disparar para valores recorde de muitos meses, ou mesmo anos.

Para os países encerrados no Golfo Pérsico, como a Arábia Saudita, Kuwait, Catar, Bahrein, Emiratos Árabes Unidos... este é um pesadelo económico que pode ser altamente destrutivo para as suas economias.

Mas para os países exportadores de crude fora desta geografia em turbulência, como é o caso de Angola, pelo menos momentaneamente será de ganhos rápidos porque o barril facilmente deverá passar dos 80 USD, visto que fechou a sessão de sexta-feira, 27, nos 72 USD para o Brent e 67 para o WTI, em Nova Iorque, embora algumas casas financeiras já tenhama dmitido que os 200 USD por barril não é um valor inatingível.

Sendo o mais vital ponto de passagem em todo o mundo para o fornecimento de crude e um dos mais relevantes para o gás natural, é natural que Teerão esteja a ser já pressionado pelos países não envolvidos no conflito actual, começado com os ataques desta manhã pela coligação israelo-americana (ver links em baixo) contra o Irão.

Mas dificilmente Teerão vai ceder, até porque este parece ser um passo concertado com os seus aliados do Iémen, os Houthis, que horas antes tinham anunciado que todos os navios que atravessarem o Estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar vermelho/Canal do Suez ao Oceano Índico.

Esta não é a primeira vez que os Houthis fazem isto, o que obriga os navios que demandam o Canal do Sul oriundos da Ásia a passar pelo sul de África, o que representa uma viagem de mais de duas a três semanas, aumentando e muito os custos do transporte de bens e de energia.