Numa entrevista inesperada a The Atlantic, uma revista de cariz cultural com tendências democratas, Donald Trump admitiu que está disponível para conversar com o Irão, o que foi recebido com grande surpresa pelos analistas porque não havia indícios de que tal estivesse na calha.
Nesta entrevista inesperada, Trump afirmou que foi informado de que os iranianos queriam falar com ele e, como tal, fez saber a Teerão que está disponível para essa conversa, embora não houvesse qualquer indício de que Teerão tenha anunciado esse passo.
Isto aconteceu depois de, efectivamente, a coligação Israel/EUA ter conseguido um estrondoso sucesso nos seus ataques iniciais, com o assassinato do Líder Supremo do Irão, aiatola Ali Khamenei, bem como os chefes militares do Exército e da Guarda Revolucionária.
No entanto, esta iniciativa também surge quando se acumulam vídeos nas redes sociais, porque nos media tradicionais ocidentais escasseia a informação sobre os resultados dos ataques iranianos sobre Israel e os países do Golfo Pérsico com bases dos EUA nos seus territórios, com repetidas explosões e grande impacto visual.
Embora no que diz respeito aos ataques israelo-americanos sobre Teerão, essas imagens, devastadoras, corram os ecrãs das televisões europeus e norte-americanas ao longo de horas, quando este conflito tem apenas dois dias, e seja evidente que o Irão não possui capacidades de defesa aérea eficazes como foi sendo anunciado antes do ataque.
O que significa que as notícias sobre a chegada ao Irão de modernos e abundantes sistemas de defesa aérea russos e chineses eram excessivamente optimistas para Teerão, ou a coligação foi capaz de as neutralizar electronicamente antes de fazer avançar os aviões e os misseis.
Mas a arma mais eficaz do Irão (ver links em baixo), e que vários analistas apontam como sendo a razão pela qual Donald Trump tomou a iniciativa de dizer que está disponível para conversar com Teerão foi uma simples mensagem via rádio enviada no Sábado, a todos os navios no Golfo Pérsico ou a caminho do Estreito de Ormuz.
"Todos os navios estão agora proibidos de usar o Estreito de Ormuz e esta ordem tem efeito imediato", dizia uma voz de um comandante da Guarda Revolucionária do Irão, o que levou a que centenas de navios, porta-contentores e petroleiros, ficassem ao largo desta estratégica passagem marítima.
É que a mensagem da Guarda Revolucionária do Irão, a força militar de elite iraniana, levou a que mais de 20 milhões de barris de petróleo deixassem de chegar ao mundo idos dos países do Golfo Pérsico, desde a Arábia Saudita ao Kuwait e ao Iraque, passando por Emiratos Árabes Unidos, Catar ou Bahrein...
Pelo menos três petroleiros, dois britânicos e um norte-americano, que ignoraram esta ordem, foram atacados e estavam ao fim da tarde de Sábado, o segundo dia de guerra, a arder no Golfo Pérsico.
O que foi suficiente para, como noticiaram os media especializados, as seguradoras como a britânica Lloyd"s, a maior seguradora do mundo neste segmento, anunciou de imediato que deixava de garantir os seguros dos navios que navegassem no Estreito de Ormuz, e a MAERSK, o gigante do transporte de mercadorias, anunciou que os seus navios e contentores deixavam de passar por aquela passagem controlada pelo Irão.
Com este cenário pela frente, o que os analistas apontam é que a Donald Trump de pouco valerá, do ponto de vista eleitoral, para as eleições intercalares de Novembro, fulcrais para a sua carreira política, "oferecer" uma vitória contra o Irão se pelas traseiras lhes "entrega" uma inflação desenfreada e um choque económico que pode ser pior que a crise de 2008.
É que o barril de petróleo, quando os mercados começarem a abrir na Ásia, como a Reuters aponta, e todos os media especializados estão a sublinhar, deverá subir como um míssil nos gráficos dos mercados internacionais, com um salto dos actuais 72 USD, para o Brent, até, só nas primeiras horas, aos 80 USD sem que exista um limite plausível para o que pode suceder nas horas seguintes.
E com o escândalo dos "Ficheiros Epstein", que contêm o mais aterrador caso de pedofilia internacional de sempre, onde o seu nome é citado milhares de vezes, além de aparecer em fotos e vídeos altamente comprometedores, à perna, se perder a maioria no Congresso nas eleições de 03 de Novembro, como o próprio já admitiu, terá um processo de destituição (impeachment) aberto no dia seguinte.
Além disso, como ficou claro neste Domingo, 01 de Março, apesar do sucesso com a morte de Ali Khamenei, aos 86 anos, 35 dos quais à frente do país, não levou á queda do regime, que, de imediato, recorreu ao disposto na Constituição e anunciou a criação do triunvirato que vai gerir o Irão até que o Conselho dos 88 Sábios anuncie quem é o próximo Grande Aiatola, o Líder Supremo do Irão.
O trio que gere actualmente o país é constituído pelo Presidente Massoud Pezeshkian, o Líder do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei, e o aiatola Alireza Arafi, um sério candidato á sucessão de Khermenei e um elemento da linha mais dura entre os clérigos xiitas.
E, por fim, Trump tem de lidar com o facto de o Irão, como o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, citado por The Guardian, ter vindo garantir que o poder militar do Irão está totalmente intacto, como o prova o facto de os seus misseis e drones estarem a cair em sucessivas vagas sobre as bases dos EUA na região e em Israel.
Além disso, o comandante da Guarda Revolucionária, apesar de o Irão estar desta vez a usar muito menos misseis nas vagas de ataque sobre Israel que na "guerra dos 12 dias" de Junho de 2025, ter dito que só estão a ser usados projecteis antigos e drones de fabrico mais simples, estando os mais modernos e eficazes em stand by para as fases seguintes da guerra.
Outra preocupação é que o CEMGFA norte-americano, general Dan Caine, dias antes do ataque, ter informado Donald Trump que os EUA só possuíam na região munições (misseis) para cinco dias de ataque intenso...
Já passaram dois e a intensidade está a ser superior ao que era esperado, inclusive pelo Pentagono, o que quer dizer que os EUA só podem manter este ritmo por mais dois ou três dias...











