Esta descida acentuada do valor do barril de Brent, que serve de referência principal para as exportações angolanas, dos 85 USD na terça-feira, para os 80 USD nesta quarta-feira, 04, o quinto dia de guerra, está a ser acompanhada por notícias nos media internacionais de que o Irão e os EUA iniciaram um processo de negociações ainda fluído mas com boas perspectivas.

Depois de o Irão ter fechado o Estreito de Ormuz (ver links em baixo), por onde passa quase toda a energia produzida no Golfo Pérsico, 20% do crude e 20% do gás queimados pela economia global, em Washington Donald Trump fez uma declaração ambígua mas que os analistas interpretaram como um "convite" a Teerão para negociar.

Disse o Presidente norte-americano na segunda-feira que tinha ficado a saber que os iranianos queriam conversar e que ele estava disponível para isso, sendo essa a primeira brecha na muralha, tendo agora, anunciam as agências, e os mercados acreditaram, que o Irão fez saber, através da sua intelligentsia, que está disposto a conversar com os norte-americanos.

Isto, quando Teerão e dezenas de outras cidades iranianas estão a ser bombardeadas quase sem interrupção pela coligação israelo-americana, ao mesmo tempo que a Guarda Revolucionária mantém barragens sucessivas de misseis e drones sobre Israel e os países vizinhos do Golfo Pérsico, Turquia e Jordânia, onde os EUA têm bases militares.

Além do Estreito de Gibraltar encerrado, a Arábia Saudita, o Catar, o Kuwait e os Emiratos Árabes Unidos anunciaram a suspensão quase total da produção de petróleo e gás, o que, a manter-se, poderá gerar uma crise gigantesca na economia mundial mas atingindo com especial vigor a Europa, Índia e também os Estados Unidos, não pela escassez mas por causa da inflação, que é já uma das maiores dores de cabeça da Administração Trump.

Ora, com as eleições intercalares de Novembro a representarem um risco sério de perda das maiorias republicanas nas duas câmaras do Congresso, a dos Representantes e o Senado, com um Capitólio hostil, Donald Trump não escaparia a um processo de destituição imediato, especialmente devido aos "Ficheiros Epstein", o maior escândalo de pedofilia internacional de sempre e onde o seu é um dos nomes mais citados.

Mas não só... Donald Trump também não consultou, como a Constituição exige, o Congresso antes de abrir uma guerra com o Irão, o que somado ao caso da pedofilia, deixa muito pouca margem para ele escapar a um "impeachment", como o próprio já admitiu publicamente que os democratas não deixariam de tentar em caso de ganharem as eleições intercalares deste ano.

E não é tudo: Esta é uma guerra sem qualquer alicerce na Lei Internacional, o que transforma Donald Trump e o primeiro-ministro Benjamin Netanyhau como alvos evidentes para futuros processos nos tribunais de justiça internacional da ONU e do Acordo de Roma, TPI e TIJ.

Este é, portanto, o contexto em que, se as notícias mais recentes estiverem alinhadas com a verdade, o petróleo começa a perder gás nos mercados.