Marco Rubio, que também é o Conselheiro para a segurança Nacional do Presidente Donald Trump, detalhou que os EUA só lançaram a sua operação militar, "Fúria Épica", porque se aperceberam que Israel ia avançar que o Irão iria retaliar contra a presença dos EUA no Médio Oriente.

Esta tentativa, feita já nesta terça-feira, 03, do chefe da diplomacia norte-americana de se desmarcar da responsabilidade de os EUA terem iniciado a guerra, segue-a a outra, tentada pelo secretário da Guerra, quando, no Domingo, defendeu que fora o Irão que começou o conflito.

Pete Hegseth disse, quando já se começa a perceber que, apesar da tempestade de misseis caídos sobre o Irão, com algumas fontes a apontarem para mais de 500 Tomahawk disparados nos primeiros três dias, não estavam a conseguir os objectivos, que fora o Irão que, ao longo de décadas, começou este conflito ao matar americanos através de actos de terrorismo em diversas partes do mundo.

A generalidade dos media e dos analistas desconsideraram estas declarações de Pete Hegseth, tendo muitos deles apontando-as como absurdas, visto que foram uma falhada tentativa de retirar os EUA deste problema de largo espectro no Médio Oriente.

E agora é Marco Rubio que, numa igualmente absurda tentativa de retirar os EUA desta equação que, segundo vários analistas, como John Mearsheimer, professor da Universidade de Chicago e um dos analistas mais prestigiados de política internacional no mundo, for "objectivamente mal calculada" e que levou Donald Trump a cometer um erro cujas consequências "ainda não é possível medir na sua dimensão total".

Isto, porque as operações "Fúria Épica" dos EUA e "Rugido do Leão" israelita, como se fosse possível desligar uma da outra, estão longe, para já, de estarem a ter o sucesso apregoado pelo Presidente Trump e pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyhau.

Isto, porque, ao 4º dia de bombardeamentos, o regime iraniano não apenas se mantém sólido como está a infligir danos para já incomensuráveis nas bases americanas no Médio Oriente e em Israel, (ver lin ks em baixo) embora seja igualmente claro que o Irão nunca tinha sido confrontado com uma chuva de misseis desta dimensão e poder destrutivo.

Apesar disso, depois de os primeiros golpes terem matado perto de meia centena de figuras de todo do regime, especialmente entre as forças de segurança, e o próprio Supremo Líder, Ali Khamenei, e as instalações de Governo e militares terem igualmente sido evaporadas, ao que tudo indica o regime mantém o controlo social e a Guarda Revolucionária do Irão não deixou de manter vagas sucessivas de drones e misseis a voarem sobre Israel e os países aliados dos EUA no Golfo Pérsico.

Tanto assim que o discurso oficial de Donald Trump passou de apontar para uma rápida decapitação do regime em Teerão e a mudança de regime para a debilitação da sua capacidade ofensiva, ao mesmo tempo que anunciava a sua disponibilidade para voltar à diplomacia como meio de desobstrução do caminho para a paz na região.

Além disso, o Presidente norte-americano deixou de lado a ideia de uma guerra relâmpago, com "força brutal", de forma a obter os resultados de imediato, para, já nesta terça-feira, 03, afirmar que os EUA possuem meios e misseis suficientes para manter esta guerra por semanas a fio ou mesmo meses.

O que está a ser visto como um bluff, porque, aparentemente, quem tem essa capacidade instalada é o Irão, que vaga após vaga de misseis e drones, incendeia as cidades israelitas e as bases americanas na região.

Possibilidade de bluff reforçada quando se soube, dias antes do começo desta guerra, que o CEMGFA dos EUA, general Dan Caine, e o director da CIA, John Ratcliffe, reuniram segundo The New York Times, com Donald Trump, para o informar que a máquina de guerra deslocada para o Médio Oriente, apesar de gigantesca, tinha apenas misseis para manter uma barragem de fogo de alta intensidade por cinco dias... e já se está no 4º dia deste conflito de altíssima intensidade.

E isso, aliado ao fecho total, anunciado já esta manhã, do Estreito de Ormuz, por onde passa quase 25% do crude consumido no mundo, está a gerar um choque petrolífero que pode levar até aos EUA algo muito mais devastador que os misseis iranianos: uma crise económica sem precedentes, como o anuncia já o barril de Brent ter chegado aos 82 USD.

Como se fosse pouco, o Irão mudou de estratégia e está agora, na verdade desde Domingo, a alvejar também a infra-estrutura energética dos petroestados do Golfo Pérsico, sendo um dos ataques mais flamejantes o que aconteceu na refinaria saudita de Ras Tanura, a maior do mundo, que trata meio milhão de barris por dia...

E se este cenário se mantiver, não são poucos os analistas que admitem que assim que as primeiras brechas no fornecimento da matéria-prima, seja o petróleo, seja o gás, na Europa Ocidental, por exemplo, que já subiu em 24 horas mais de 50%, surgirem, o barril pode disparar para os 100 USD e, depois, o céu será o limite.

Mas é na frente desta guerra, que se estende muito além do Irão, porque as explosões sucedem-se em países como a Arábia Saudita, os Emiratos Árabes Unidos, Catar, Kuwait ou mesmo o Bahrein, que os EUA começam a ter pouco espaço para lidar com todos os riscos...

Porque não são apenas as suas bases militares que estão a ser atacadas, também as suas embaixadas começam a arder, seja através de drones, como aconteceu nas últimas horas em Riade, Arábia Saudita, ou no Kuwait, Paquistão e Bahrein, onde a fúria popular da rua islâmica se fez sentir, havendo mesmo relatos de dezenas de mortes entre os manifestantes...

Seja por isso, ou por causa da capacidade de projecção militar do Irão, os EUA lançaram uma ordem a todas as suas representações diplomáticas na região para que todo o pessoal não essencial, o que deixa de fora pouco mais que embaixador e a sua equipa mais próxima, saia o mais rapidamente possível.

Estão na lista de países inseridos na lista da saída urgente do pessoal não essencial das embaixadas respectivas a Arábia Saudita, onde um drone lançou um incêndio que obrigou ao seu fecho temporário, o Kuwait, o Catar, Jordânia, Iraque e Bahrein...

E o receio que se percebe neste movimento de pessoal para fora do "campo de batalha" é resultado, entre outras coisas, de o Irão ter, como, na verdade, já tinha sido delineado pelas suas chefias militares, a inserir novos misseis com novas capacidades, incluindo hipersónicas, a cada nova vaga de ataque.

Isso está a ser especialmente sentido em Israel, onde Telavive e Jerusalém foram alvos de vários misseis hipersónicos Fattah-1 e Fattah-2, havendo relatos não confirmados da morte de vários conselheiros e chefias militares próximos de Benjamin Netanyhau, mas também nas dezenas de bases norte-americanas no Golfo Pérsico, incluindo a maior de todas, a de Al Udeid, no Catar.

A par deste alargamento regional do conflito, que já incendiou também a fronteira israelo-libanesa, com o Hezbollah, aliado do irão, a disparar dezenas de roquetes sobre o norte de Israel, além do Mar Vermelho, onde os Houthis, do Iémen, igualmente próximos de Teerão, estão a impedir o trânsito marítimo de e para o Canal do Suez, outra potencial fonte de problemas para a economia global, em casa, Donald Trump enfrenta cada vez mais crises...

E uma delas é a questão do escândalo de pedofilia internacional do caso dos "Ficheiros Epstein", onde o seu nome surge milhares de vezes citado, e que pode levar a um impeachment (processo de destituição) se, como é possível, e se a guerra com o Irão correr ainda pior, garantido que acontecerá, perder as eleições intercalares de Novembro e com isso a maioria nas duas câmaras do Congresso, a dos Representantes e do Senado.

Além dessa dor de cabeça que muitos analistas defendem que foi para se livrar dela que lançou esta guerra, o próprio conflito pode estar a ser trabalhado pela oposição como uma frente de combate política, porque Donald Trump está constitucionalmente obrigado a informar o Congresso sobre qualquer operação militar em preparação no exterior...

Mas há mais dores de cabeça para Trump. Os países do Golfo Pérsico, segundo a Bloomberg, estão a criar uma frente diplomática para travar esta guerra, pressionando Washington para acabar com os ataques ao Irão, envolvendo o Presidente russo, Vladimir Putin, nesse processo, para este falar com o Irão... de modo a facilitar o processo.

É que os petroreinos do Golfo estão a viver dias de amargura tremenda e insustentável, não apenas porque o negócio do crude e do gás está a derreter sob o fogo iraniano, mas quase mais relevante que isso, a destruição da sua indústria do turismo, assente quase totalmente na segurança garantida aos milionários de todo o mundo...

Também os aeroportos, onde surge como exemplo maior o Dubai por ser um hub mundial, o maior do mundo, onde centenas de milhares de pessoas estão impedidas de sair, com milhares de voos canceladas, ou os hotéis luxuosos, vários a arder devido ao impacto de drones iranianos, representam um quadro aterrador para estas economias que vivem do turismo de segurança para milionários e do negócio da energia...

Difícil de saber neste momento é se o Irão vai aceitar passar do gatilho para a mesa das negociações de novo, porque do lado dos EUA essa vontade já foi expressa sem margem para dúvida por Donadl Trump...

Até ao momento, vinga a palavra de Ali Larijani, antigo militar da Guarda Revolucionária, o conselheiro e secretário do Líder Supremo Ali Khamenei, até à sua morte, e um dos homens que nesta fase de transição, antes da escolha do novo Líder Supremo, aparece como dando a cara pelo regime, que já disse que "não haverá mais conversas com os americanos".

Pelo contrário, ameaçou Donald Trump com a garantia de que o seu poder sobre o Médio Oriente iria acabar nesta guerra...