Se é verdade que Joe Biden ficou conhecido pelas suas aparições desconectadas da realidade, como aquele famoso episódio em que cumprimentava de mão estendida uma pessoa inexistente, Donald Trump parece ir pelo mesmo caminho, embora num e noutro caso, o médico oficial da Presidência tenha atestado positivamente as suas acuidades mentais.

Pelo menos na opinião de 61% dos norte-americanos, ouvidos numa sondagem divulgada pela Reuters, pensam que sim, que Donald Trump, que já resolveu, e por isso diz merecer o prémio Nobel da Paz, nove guerras "imaginárias", pelo menos a maior parte delas, está a ficar desconectado com a realidade como o seu antecessor estava efectivamente.

Com 79 anos, menos um que Joe Biden, Donald Trump tem, contudo, problemas mais sérios pela frente, porque, além de ter herdado a guerra na Ucrânia de Biden, juntou-lhe a iminência de um conflito com o Irão que pode espalhar o caos pelo Médio Oriente.

E, sendo isso já muito, à crise económica que lhe caiu nas mãos vinda do passado, podendo agravar-se de forma ilimitada se ordenar mesmo um ataque ao Irão, considerando que o Golfo Pérsico é a "fonte" de mais de 30% da energia fóssil consumida no mundo, Trump tem ainda de lidar com o "Caso Epstein".

O maior escândalo de pedofilia internacional de sempre, onde o seu nome aparece milhares de vezes citado, é coisa para dar cabo da saúde mental de qualquer um, ainda por cima de um homem com idade avançada - vai fazer 80 anos -, sendo que todas as tentativas da sua equipa na Casa Branca para o livrar deste pesadelo parecem estar a falhar.

Isso mesmo fica claro quando, já nesta quinta-feira, 26, Hillary Clinton, a mulher do ex-Presidente Bill Clinton, também um dos mais citados nos ficheiros do caso que envolve o pedófilo global Jeffrey Epstein, detido em 2019 e morto na cadeia, alegadamente por suicídio, numa audição a esse propósito no Congresso, defendeu publicamente que "quem devia ser ouvido sob juramento é aquele cujo nome mais vezes ali aparece".

E esse nome é, segundo os media americanos, pelo menos entre as pessoas famosas, entre os milhares de nomes conhecidos citados nos "Ficheiros Epstein", Donald Trump é o mais encontrado por todos aqueles que já leram o processo com mais de 3 milhões de documentos escritos, fotografias e vídeos.

Além disso, o quase octogenário Presidente dos EUA, que não consegue esconder que as suas capacidades cognitivas, basta ver o discurso errático que fez, ao longo de duas horas, na terça-feira passada, no "estado da União", estão a deteriorar-se rapidamente, tem pela frente, em Novembro, as eleições intercalares que podem ditar o seu destino político e mesmo pessoal.

É que o próprio, que já o admitiu publicamente, está consciente que com o caso Epstein a arder na praça pública, se em Novembro perder, como as sondagens apontam, as maiorias nas duas câmaras do Congresso, Senado e Representantes, imediatamente a oposição democrata avança com um processo de destituição (impeachment) que tem fortes possibilidades de sucesso.

Especialmente se, até lá, com o avançar das audições no Congresso de testemunhas sobre este processo, o "Caso Epstein" evoluir de modo a encostar ainda mais Trump às cordas.

E nem algumas surpresas, como a indicação pela Casa Branca de Melania Trump, a primeira-dama, para presidir ao próximo Conselho de Segurança das Nações Unidas, um coelho tirado da cartola de Donald que nenhum analista conseguiu antecipar, parecem estar a conseguir desviar as atenções do caso que mais queima politicamente o Presidente, o "Caso Epstein"

E se se pensar que Donald Trump foi reeleito em Novembro de 2024, que assumiu a Casa Branca em Janeiro de 2025, caminhando sobre promessas repetidas à exaustão que deixaria de imediato as questões internacionais, que sairia do conflito ucraniano, que não abriria novas frentes de problemas no exterior, para se concentrar nos problemas internos dos EUA...

... então facilmente se dá conta que os seus problemas têm tudo para crescer e não diminuir, porque a sua base de apoio eleitoral, conhecida como MAGA (Make America Great Again), onde estão milhões de americanos conservadores nacionalistas que querem o Presidente a tratar da economia e da segurança interna, não lhe perdoa estar a fazer tudo ao contrário do que lhes prometeu.

Com fissuras internas no Partido Republicano, onde os analistas defendem crescentemente que alguns dos seus apoiantes iniciais, como a congressista republicana Marjorie Taylor Greene, o estão a atacar com o caso Epstein para o forçar a regressar às bases, Donald Trump está, como os norte-americanos dizem amiúde, "entre uma rocha e um sítio duro".

Este é o contexto onde o octogenário Presidente dos EUA se move actualmente, e cujos passos e actuações e decisões, levam a maioria de norte-americanos, em pelo menos três estudos de opinião recentes, a mostrarem uma crescente preocupação com a sua acuidade mental.

Uma pesquisa da Reuters/Ipsos publicada esta semana, citada por vários medias, incluindo a Lusa, indica que 61% dos adultos nos Estados Unidos descrevem Trump como "errático" à medida que envelhece.

Esta, avança ainda a Lusa, é uma opinião partilhada não só pela imensa maioria dos democratas, 89%, mas também por um terço dos republicanos e a maior parte dos independentes (64%).

No conjunto, apenas 45% dos inquiridos afirma que o Presidente Trump goza de capacidades cognitivas suficientes para gerir a Casa Branca.

Mas há outros estudos que reforçam esta noção de que as capacidades cognitivas e físicas do presidente dos Estados Unidos parecem estar a deteriorar-se.

Uma sondagem da CNN do mês passado mostrava que a proporção de norte-americanos que acreditam que Trump tem a resistência e a agudeza necessárias para exercer o cargo caiu para 46%, em comparação com os 53% do final de 2023.

Outra sondagem do Washington Post-ABC News-Ipsos da semana passada situa em 56% aqueles que opinam que o presidente carece da agudeza mental exigida para o cargo e em 51% aqueles que duvidam da sua condição física.

São três os estudos de opinião conhecidos recentemente que apontam para um desgaste das capacidades mentais e físicas percepcionadas pelos norte-americanos, sendo o mais recente, e mais dramático também, o da Reuters/Ipsos publicada esta semana, citada por vários medias, incluindo a Lusa, que indica que 61% dos cidadãos maiores de idade nos Estados Unidos descrevem Trump como "errático" à medida que vai envelhecendo.

O maior problema desta sondagem é que não apenas os que votam normalmente no Partido Democrata, na oposição, apontam no sentido Das debilidades crescentes de Trump, também entre os republicanos, o seu partido, aumenta essa percepção.

Neste estudo divulgado pela Reuters, 89% dos democratas vê Donald Trump a cambalear na acuidade mental, ao mesmo tempo que um terço dos republicanos pensa de igual modo e a maior parte dos independentes, acima de 64%.

O que leva a que apenas 45% da totalidade dos inquiridos entende que não há razão para alarme e que o Presidente dos EUA ainda está em condições mentais de não deixar mal o país, embora outros estudos reforcem esta noção de que as capacidades cognitivas e físicas do presidente dos Estados Unidos parecem estar a evanescer.

A CNN, em Janeiro, avançou com um estudo semelhante nos propósitos onde mostrava que os norte-americanos que acreditam que Trump tem a resistência e a agudeza necessárias para exercer o cargo caiu para 46%, em comparação com os 53% do final de 2023.

Outra sondagem, recorda a Lusa, do Washington Post-ABC News-Ipsos da semana passada situa em 56% aqueles que opinam que o presidente carece da agudeza mental exigida para o cargo e em 51% aqueles que duvidam da sua condição física.