Segundo o SNTIBSA, o sector das indústrias de bebidas tem crescido, mas não tem descerrado as portas para novos postos de trabalho directo para a juventude.
Conforme o sindicato, as empresas muitas das vezes apenas fingem cumprir a Lei Geral do Trabalho quanto à empregabilidade.
Reunidos esta sexta-feira, em Luanda, com os parceiros sindicais para a sua 3ª conferência nacional e renovação de mandato, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Indústrias de Bebidas e Similares mostra-se preocupado com a precariedade dos funcionários do sector, a falta de segurança e de serviços de saúde no trabalho e a desvalorização de quadros seniores.
Em declarações ao Novo Jornal, o secretário geral do SNTIBSA, Gonçalves Brandão, disse que nas grandes empresas não há recrutamento de novos funcionários, mas tem havido despedimentos de trabalhadores efectivos e a contratação de empresas de outsourcing para fazerem o mesmo trabalho.
Segundo o líder do SNTIBSA, o sindicato tem assistido "com bastante preocupação" aos despedimentos e diz não concordar com a alegação das indústrias de que há falta de capacidade cognitiva dos trabalhadores.
"O trabalhador não pode ser penalizado pela falta de políticas de capacitação promovidas pela própria entidade empregadora. Não estamos contra as empresas e muito menos contra os empregadores, mas precisamos de respeito e consideração profissional", disse.
Segundo o SNTIBSA, muitas empresas no País estão a desvalorizar os quadros nacionais, substituído-os por quadros expatriados, muitas vezes sem a devida transferência de conhecimento ou justificação técnica plausível.
Conforme o SNTIBSA, os patrões têm violado a Lei Geral do Trabalho no que respeita ao processo de admissões de trabalhadores por intermédio de empresas prestadoras de serviços, mecanismo que, em certos casos, tem sido utilizado para precarizar o sector.
Nas grandes indústrias, como por exemplo no Grupo Castel, contou, "registaram-se despedimentos ocultos de trabalhadores antigos para posterior contratação de trabalhadores eventuais, numa clara tentativa de reduzir custos salariais e eliminar direitos adquiridos".
O SNTIBSA lamenta ainda o facto de as empresas novas que se juntam ao sector, não abrirem postos de empregos para jovens recém-saídos das universidades com formação nas áreas correspondentes.
Entretanto, o sindicato apela às autoridades competentes, como a Inspeção Geral do Trabalho (IGT) e o próprio Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTSS), para intervirem junto das indústrias quanto a esses quesitos.
O Novo Jornal sabe que a nesta 3ª conferência nacional, para além de debaterem temas do sector, os representantes sindicais e parceiros socais vão fazer a renovação de mandato dos membros da direcção.

