Com as renovadas ameaças do Presidente dos EUA, Donald Trump, de voltar a atacar o Irão, com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a não esconder o seu ardente desejo de voltar a atacar Teerão, alguns analistas mostram-se mesmo surpresos pelo baixo valor actual do crude.
Apesar de Trump insistir que a sua Marinha de Guerra tem o domínio absoluto do Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico, e por onde passam, em tempo de paz, 20% do crude e do gás mundiais, os repetidos ataques aos petroleiros e metaneiros naquela passagem demonstram o contrário.
Sendo verdade que os mercados tendem a acreditar mais em Donald Trump que nas autoridades de Teerão, as sucessivas explosões contra navios que demandam Ormuz contradizem esse domínio norte-americano, até porque a média tem sido, nas últimas semanas, uma a duas embarcações a chocar contra minas navais ou atacadas por drones iranianos.
Todavia, segundo se percebe pelos relatos e análises dos sites especializados no sector energético, não são sequer os navios constantemente atacados que mais mexem com os mercados, é o receio de que Donald Trump aceite o desafio do seu amigo Netanyahu e volte a dar ordem de ataque contra o Irão.
"Talvez tenha de voltar a ordenar uma pequena `Epic Fury - Fúria Épica' contra o Irão", disse Trump num comício de campanha para as eleições intercalares de 03 de Novembro, apontando o apertar do gatilho para depois da votação, mesmo que Benjamin Netanyahu o tenha "afogado" em pedidos para o fazer antes das eleições em Israel de 27 de Outubro.
Nunca uma guerra esteve tanto em stand by devido a duas eleições quase em simultâneo e para as quais os atacantes, a coligação israelo-americana, estiveram tanto em campos opostos quanto à ordem de retoma dos ataques.
É que se em Israel Netanyhau precisava que Trump desse a ordem antes de 27 de Outubro, porque isso seria um impulso decisivo para os seus objectivos eleitorais de se manter no poder, para o norte-americano, fazê-lo seria condenar-se a si próprio a uma derrota ainda mais severa que aquela que as sondagens, quase sem excepção, lhe prognosticam.
Donald Trump sabe que dois em cada três eleitores indicam como razões maiores para decidir o seu voto o preço dos combustíveis e a inflação, sendo que tanto num caso como noutro, embora estejam ligados, é a guerra no Médio Oriente que contribui para a sua "inflamação".
Mas, por um acaso rugoso da história, após as eleições intercalares de 03 de Novembro nos EUA, os interesses de Trump e Netanyhau deixam de conflituar, ou até voltam mesmo a coincidir, porque o israelita pode ter de ir a eleições dentro de semanas e para o norte-americano, é a sua oportunidade de "vingança" visto que, se for como as sondagens apontam, só em Janeiro perde a maioria republicana no Congresso.
É que Benjamin Netanyhau, apesar de liderar a contagem dos votos, está longe de conseguir uma maioria de deputados para a coligação de partidos que lidera, e o bloco da oposição, também não terá essa maioria... sendo quase certa a repetição das eleições.
A solução seria uma aliança com os partidos árabes, que conseguem, até ver, 19 deputados, num Parlamento de 120, onde o Likud, de Netanyhau, chega aos 53 e o Yashar, do antigo CEMGFA, Gadi Eisenkot, aos 48, mas tanto um como outro recusam-se a falar com os partidos de génese palestiniana.
Com a confluência destas novas realidades pós-eleitorais em perspectiva, os analistas dos mercados petrolíferos sabem que novos ataques ao Irão são mais que uma mera possibilidade, são quase uma certeza...
Face a este cenário, e depois de duas semanas a bater recordes de vários anos, igualando o valor que o Brent atingiu com o início dos ataques israelo-americanos contra Teerão a 28 de Fevereiro deste ano, a medida foi perdendo os "flutuadores externos" e baixou da fasquia dos 114-116 USD para os 112 USD que tinha na abertura dos mercados esta sexta-feira, 30.
Só que, com as setas a apontar para novo "drama" neste longo filme, o barril de Brent está já de novo a subir, quase 1,6%, para os 112,4 USD, valor que ostentava perto das 09:20, hora de Luanda, sendo a tendência gerada pela incerteza no Médio Oriente o combustível para esta iminente escalada, tanto no conflito como nos mercados energéticos.
