O Presidente dos EUA conseguiu novamente empurrar o barril para baixo dos 100 USD ao insistir que estão mesmo a decorrer "conversações construtivas" com o Irão e que já existe mesmo um plano de paz com 15 pontos que está a ser analisado em Teerão.

Ao contrário do que sucedeu na segunda-feira, 23, hoje os mercados mantiveram-se ao lado de Trump e não acreditaram nas autoridades iranianas que negaram novamente existirem quaisquer negociações com os EUA e nada sabem do plano de paz.

O que permite que perto das 11:25 desta quarta-feira, 25, hora de Luanda, o barril de Brent, referência principal para as ramas exportadas por Angola, estivesse consolidado entre os 98 USD e os 99 USD, mostrando uma queda de mais de 5,5% face ao fecho de ontem.

Apesar de estarem a responder positivamente às medidas de Trump, com o Irão a voltar a avisar que se trata de medidas que visam apenas manipular os mercados financeiros e energéticos, nos corredores a discussão está inflamada porque as novidades da "frente" não param de surgir nos media.

Uma delas é a gigantesca deslocação de forças militares norte-americanas para a região, com mais de 50 mil militares, antecipando uma invasão terrestre, com a possibilidade de Trump estar a estender o ultimato feito ao Irão para abrir o Estreito de Ormuz até sexta-feira de forma a ganhar tempo nesses preparativos.

E ainda porque sexta-feira, 27, coincide com o fecho dos mercados, criando um intervalo de 48 horas, o fim-de-semana, para atenuar os efeitos dramáticos, e esperados, de uma invasão do Irão nos mercados bolsistas e do oil & gas.

Apesar do frenesi ser claro, os preços estão-se a aguentar abaixo dos 100 USD, no caso do Brent, mas são vários os analistas que sublinham que se uma invasão terrestre, parcial, se for apenas na estratégica Ilha de Kharg, no Golfo Pérsico, ou do Estreito de Ormuz, ou total, se for em direcção a Teerão, muito menos provável, a subida não será de regresso aos 115 USD mas muito para além dos 150 USD...

Por ora, o entendimento é que até sexta-feira dificilmente haverá mexidas drásticas nos gráficos dos mercados globais de energia, mas a segunda-feira, 30, poderá revelar-se histórica... com o barril a bater nos 200 USD se se confirmar o avanço terrestre dos EUA no Irão.