O primeiro-ministro israelita, Benjamim Netanyhau não gosta e já prometeu "falar" com o Presidente norte-americano, Donald Trump, para o convencer do erro que foi assinar um acordo com os iranianos, mas no seu Governo em Telavive há quem prefira actos a conversas para fazer descarrilar o comboio da paz.
O mais radical entre todos os governantes israelitas, Itamar Bem Gvir, ministro da Segurança Nacional, que compara apenas com Bezalel Smotrich, o seu colega das Finanças, em ódio e extremismo, já veio dizer que "todo o Líbano deve arder".
O sul do Líbano está há décadas sob pressão militar israelita e periodicamente é invadido, como o momento actual, mas o Irão impôs a saída dos israelitas do sul do Líbano como parte do acordo com os EUA, o que obriga Trump a ir à "luta" contra Netanyhau.
É que o Likud, o partido de Benjamin Netanyhau só aguenta o Governo com apoio dos dois pequenos partidos extremistas, racistas e radicais de Smotrich, o Partido Sionista Religioso, e Bem Gvir, que lidera o igualmente radical Partido Otzma Yehudit, que se opõem radicalmente a este acordo entre EUA e Irão.
E a prova disso mesmo é que Itamar Bem Gvir veio agora dizer publicamente, num explosivo desafio a Donald Trump, que "todo o Líbano deve arder", o que deixa escassa margemde manobra para Netanyhau, que sem o apoio de Gvir, perde o cargo de um dia para o outro.
Mas em nenhum momento os combates no sul do Líbano pararam, apesar de o MeD ter sido assinado e ter oficialmente entrada em vigor esta sexta, 19, com dezenas de civis libaneses mort os nas últimas horas e pelo menos quatro soldados israelitas abatidos pelas forças do Hezbollah, que também perdeu um número elevado de combatentes.
Devido a esta continuidade dos combates, o Irão anunciou a suspensão das negociações temporariamente de forma a dar a Trump tempo para vergar Netanyhau a aceitar as condições do MeD.
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, avançaram vários media, como a portuguesa Lusa, declarou esta sexta-feira que "todo o Líbano deve arder", após o anúncio da morte de quatro soldados israelitas.
"Com todo o respeito pelos norte-americanos, Israel deve deixar claro ao mundo que o sangue dos nossos filhos e a segurança dos nossos cidadãos não serão sacrificados. Todo o Líbano deve arder", afirmou num comunicado.
O Exército israelita anunciou esta sexta-feira a morte de quatro dos seus soldados, mortos em operações no sul do Líbano.
"Morreram na sequência de um projétil [drone explosivo] que atingiu um tanque no sul do Líbano", informaram as Forças de Defesa de Israel (FDI), atribuindo o ataque ao grupo xiita libanês Hezbollah.
Entre os mortos estava o tenente-coronel Dor Gedalya, de 32 anos, e outros três militares cujos nomes não foram divulgados. O comunicado também não especificou quando é que os quatro membros das FDI foram mortos.
Noutro comunicado, o exército israelita indicou que, na sexta-feira à noite, um oficial da reserva das FDI ficou gravemente ferido e três soldados, entre reservistas e no ativo, sofreram ferimentos ligeiros na sequência de um outro ataque com um drone explosivo, também no sul do Líbano.
Estas foram as primeiras perdas israelitas desde a assinatura do memorando de entendimento entre Washington e Teerão, que visa terminar a guerra no Médio Oriente em todas as frentes, incluindo no Líbano, onde Israel e o movimento xiita Hezbollah, aliado de Teerão, estão em conflito.
Pelo menos 18 pessoas morreram e mais de 30 ficaram feridas numa nova vaga de bombardeamentos levados a cabo pelo exército israelita contra vários locais no sul do Líbano, informou hoje o Ministério da Saúde Pública libanês.
