Em todo o mundo, a mortalidade entre a população infantil com menos de cinco anos foi, em 2024, último ano der referência, de 37 por mil nados vivos, uma percentagem ainda bastante inferior à que se regista em Angola, que é de 52/1000, embora bastante abaixo dos 68 anteriores.
Mas o que mais sobressai neste documento denominado "Níveis e Tendências da Mortalidade Infantil", da OMS, como de resto, em quase todos os relatórios sobre doenças e mortalidade infantil, é que das 4,9 milhões de crianças com menos de 5 anos que morreram em 2024, pelo menos 2,3 milhões poderiam ter sido evitadas
Bastando para isso, denuncia a OMS, avançar com intervenções preventivas e de baixo custo e acesso a cuidados de saúde de qualidade como centros de saúde locais e de proximidade com vacinas e medicamentos de baixo custo, especialmente nos países em desenvolvimento, ou pobres, com destaque para o continente africano.
Este documento revela outra tragédia que é o abandono do esforço mundial no combate a este problema, como se percebe quando se lê ali que desde 2000, as mortes neste segmento populacional estavam a diminuir significativamente e em 2015 o ritmo de redução diminuiu acima de 60%.
Na leitura proporcionada pela OMS é ainda evidente que a malária continua a ser a principal causa de morte nesta faixa etária (17%), com a maioria das mortes a acontecer em zonas endémicas da África Subsariana, onde está Angola.
"O relatório deste ano fornece o retrato mais claro e detalhado até ao momento de quantas crianças, adolescentes e jovens estão a morrer, onde estão a morrer e - pela primeira vez - integra totalmente as estimativas sobre as causas de morte", refere a OMS num comunicado, citado pela Lusa, sobre o relatório, que estima que em 2024 morreram 100 mil crianças (de um a 59 meses) por malnutrição aguda grave.
Mas, nota a OMS, o número será muito maior se forem tidos em conta os efeitos indiretos, porque a malnutrição enfraquece a imunidade das crianças, que ficam mais vulneráveis a doenças comuns da infância. Paquistão, Somália e Sudão são dos países com mais casos.
Ainda segundo a Lusa, o mesmo relatório avança que as mortes de recém-nascidos representam quase metade de todas as mortes de crianças com menos de cinco anos, "refletindo um progresso mais lento na prevenção de mortes no período perinatal".
Entre as principais causas de morte de recém-nascidos estão as complicações decorrentes do parto prematuro (36%) e as complicações durante o trabalho de parto e o parto (21%).
As infeções, incluindo a sépsis neonatal e as anomalias congénitas, também foram causas importantes.
A OMS explica ainda que após o primeiro mês as doenças infecciosas como a malária, a diarreia e a pneumonia foram as principais causas de morte.
O relatório indica também que as mortes infantis continuam fortemente concentradas num pequeno número de regiões. Em 2024, a África Subsariana representou 58% de todas as mortes de crianças com menos de cinco anos, metade delas devido a doenças infecciosas.
No sul da Ásia, que representou 25% de todas as mortes de crianças com menos de cinco anos, a mortalidade foi impulsionada principalmente por complicações no primeiro mês de vida.
A ONU refere que os países mais frágeis e afetados por conflitos continuam a suportar uma parte desproporcionada do fardo da mortalidade infantil, com as crianças nascidas nestes contextos a terem quase três vezes mais probabilidades de morrer antes de completarem cinco anos do que as nascidas noutros locais.
O relatório constata ainda que cerca de 2,1 milhões de crianças, adolescentes e jovens entre os 5 e os 24 anos morreram em 2024.
As doenças infecciosas e as lesões continuam a ser as principais causas de morte dos mais novos, enquanto os riscos se alteram na adolescência: a automutilação é a principal causa de morte entre as raparigas dos 15 aos 19 anos, e os acidentes de viação entre os rapazes.
No comunicado, a OMS nota que as mudanças no panorama global do financiamento do desenvolvimento estão a colocar os programas essenciais de saúde materna, neonatal e infantil sob crescente pressão e salienta a importância dos investimentos em saúde infantil, das vacinas ou do tratamento da malnutrição aguda. Cada dólar investido na sobrevivência infantil pode gerar até vinte dólares em benefícios sociais e económicos, acentua.
A ONU sugere que para salvar vidas os governos, doadores e parceiros devem tornar prioritária a sobrevivência infantil, concentrar-se nos que estão em maior risco, e investir em sistemas de cuidados de saúde primários.

