O Presidente ucraniano, no cargo desde 2019, evitando realizar eleições Presidenciais desde Maio de 2024 com base na Lei Marcial implementada em 2022, após a invasão russa, está cada vez mais pressionado a revalidar a sua liderança nas urnas de voto.

Isso mesmo está a ser feito pelo seu embaixador no Reino Unido e ex-CEMGFA, o general Valery Zaluzhnyi, que veio agora lembrar que a Ucrânia está em maus lençóis porque as suas Forças Armadas já usaram todos os tipos de armas disponíveis na NATO.

Ainda assim, segundo o antigo comandante-geral das Forças Armadas da Ucrânia, depois da NATO, que inclui EUA e países da Europa Ocidental, ter fornecido tudo o que disponha de material militar, a Ucrânia está num beco sem saída nesta guerra com a Rússia.

O general Valery Zaluzhnyi, afastado por Volodymyr Zelensky em Fevereiro de 2024, após uma séria de maus resultados militares na frente de batalha, especialmente a famosa grande ofensiva do Verão de 2023, é há muito visto como o grande adversário do actual Presidente assim que forem marcadas as próximas eleições, cujo calendário legal terminou em Maio de 2024.

E isso mesmo transparece do mais recente estudo de opinião realizado na Ucrânia pelo SOCIS, Centro de Pesquisas Sociais e Marketing de Kiev, que aponta para uma clara derrota de Zelensky se as eleições fossem hoje e Zaluzhnyi seria o grande vencedor.

Mas não apenas o ex-CEMGFA levaria a melhor sobre o actual Chefe de Estado em eleições livres, também o seu aliado e chefe das secretas Ucranianas, Kyrylo Budanov, e o seu ex-ministro da Defesa, Mikhaylo Fedorov, o bateriam folgadamente.

Todavia, há um pormenor que dá esperança a Volodymyr Zelensky; é que se Zaluzhnyi, ou um dos outros dois nomes envolvidos na sondagem, ganham folgadamente numa 2ª volta, dada como inevitável porque nenhum ficar sequer perto dos 50%, na 1ª volta o actual Presidente consegue vencer, embora por escassa margem e todos na casa dos 30%.

O Centro SOCIS aponta, nesta que é a mais recente sondagem feita na Ucrânia por uma organização prestigiada e sem alinhamentos políticos conhecidos, segundo os media locais, para uma derrota clara de Zelensky na segunda volta, sendo a mais expressiva contra Zaluzhny, por 66,2% contra 33,8%.

Contra o ex-ministro da Defesa, que esteve na ribalta recentemente depois de ter sido demitido por Zelensky (ver links em baixo), por 63,8% contra 33,2%, ou ainda contra Budanov, por 60,3% contra 39,7%.

Esta não é a primeira vez que sondagens apontam para uma derrota amarga de Zelensky, como uma que há cerca de um ano foi realizado por uma empresa entre as mais conhecidas em todo o mundo, a britânica Gallup, sendo que também nela Valery Zaluzhnyi surge como claro favorito.

Este dramático momento político para o Presidente da Ucrânia surge quando o próprio já veio dizer que os seus aliados o estão a deixar ficar mal porque lhe prometeram um infindável e ininterrupto apoio em armas e dinheiro para manter a guerra com os russos e estes estão a falhar a ponta de "deixarem morrer ucranianos".

Zelensky admite que o seu país está sem qualquer capacidade de defesa contra os mísseis e drones russos, como o demonstram os recentes ataques de Moscovo, realizados sem qualquer oposição anti-aérea, lamentando a falta de apoio dos aliados ocidentais.

Numa recente visita a Washington, Volodymyr Zelensky pediu ao Presidente Donald Trump pelo menos três centenas de mísseis Patriot PAC 3, usados na defesa contra projectéis balísticos, sendo que a resposta foi claramente uma recusa.

E a razão, além do Presidente norte-americano ter repetido que os EUA estão fora da guerra no Leste europeu - os factos provam o contrário -, quase ao mesmo tempo, e pela primeira vez, Trump admitiu que o país está com os seus stocks de interceptores vazios.

A razão é que os EUA estão a gastar centenas de mísseis Patriot no Médio Oriente, na guerra com o Irão, para proteger as suas bases nos países árabes e Israel, além de que, apontou agora Donald Trump, "o anterior Presidente Joe Biden deu tudo o que tinha aos ucranianos" deixando o seu país "seco" neste tipo de armamento.

Apesar destes reveses, Zelensky não parece desarmar, avisando, ao mesmo tempo que pede aos europeus que lhe forneçam o que os EUA já não podem dar, que vai ganhar a guerra com a Rússia apostando na produção massiva de mísseis nas Ucrânia como tem feito com os drones com que mantém Moscovo sob pressão constante.

Como o vai fazer, é um mistério, porque, afunilando ainda mais o caminho de Zelensky, o seu adversário político mais pesado, general Valery Zaluzhnyi, vem agora, naquilo que não pode ser visto como mera coincidência, dizer que "a Ucrânia nunca entrará na NATO" e que esta organização militar liderada pelos EUA "já deu a Kiev tudo o que tinha nos seus paióis".

O ex-CEMGFA deve saber do que fala porque conduziu esta guerra entre 2022 e 2024 e está desde então como embaixador da Ucrânia no Reino Unido, o país que mais apoio Kiev no confronto com Moscovo, afirmando, com surpresa, que os líderes europeus "dizem pela frente que a Ucrânia vai entrar na NATO mas por detrás fazem tudo para que isso nunca vá acontecer".

Como se não bastasse, o Presidente ucraniano tem ainda cada vez mais dificuldades de alimentar a narrativa mediática de que está a conseguir "virar a maré" a seu favor neste conflito, apesar de alguns dos seus aliados mais férreos o estarem a ajudar nessa ficção, como a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

É que as forças russas, como já começa a ser noticiado pelos media mais alinhados com Kiev, como os britânicos The Telegraph ou The Guardian, estão à beira de conquistar os dois últimos redutos ucranianos no Donbass ao cercarem as cidades de Slaviansk e Kramatorsk, na região de Donetsk.

Embora as contrariedades e perdas territoriais, ao mesmo tempo que a capital, Kiev, está sob uma chuva intensa e diária de mísseis, sejam cada vez mais notórias e noticiadas mesmos nos media ocidentais, Zelensky não derrapa na sua retórica mantendo que quer "resultados concretos" a seu favor na produção de mísseis até ao final do ano.

Para isso, o Presidente ucraniano pretende convencer os seus aliados europeus e norte-americanos a financiarem-lhe uma indústria de produção de mísseis anti-balísticos em alternativa aos que lhe eram fornecidos até aqui pelos EUA, especialmente depois de Trump, já esta semana, lhe ter dito que a guerra no leste europeu não é um problema seu porque tem "um gigantesco oceano pelo meio".

Recorde-se que o Presidente ucraniano tem acusado o seu homólogo russo, Vladimir Putin, de não querer negociar uma saída para este conflito, apesar de o chefe do Kremlin afirmar desde 2022 que é precisamente essa sua via preferida para acabar com as hostilidades.

Putin tem mesmo dito que garante toda a segurança a Zelensky se este quiser ir a Moscovo reunir com ele, lembrando que ainda em Março e Abril de 2022, dias depois da invasão russa, os dois países tinham acertado agulhas para um acordo de paz em Istambul, na Turquia.

E foi o então primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que, com os cabelos em pé, irrompeu por Kiev para obrigar Zelensky a deixar de falar com Putin, apostando tudo na continuação da guerra de forma a derrotar Moscovo no campo de batalha com "apoio ilimitado e até onde for preciso" dos países da NATO.

Isso, ao mesmo tempo que a União Europeia entrava no conflito com semelhante promessa "até onde for preciso de forma a vergar os russos sobre os seus joelhos no campo de batalha", como disse repetidamente Ursula von der Leyen durante os primeiros anos do conflito, estando agora claramente menos abrasiva nas palavras que usa sobre a guerra.