Nesta quarta-feira, 13, Higino Carneiro foi à Procuradoria-Geral da República, em Luanda, para ser informado de que o processo de alegada fraude na aquisição de viaturas, quando era governador de Luanda, está reaberto apesar de arquivado no ano passado.

O já anunciado candidato a presidente do MPLA no Congresso de Dezembro aproveitou a presença de dezenas de jornalistas á porta da PGR, no momento em que saia do edifício, para lançar fortes críticas á decisão do Bureau Político do seu partido em apoiar a recandidatura de João Lourenço.

Segundo Higino Carneiro, nos processos democráticos deve haver sempre transparência e as pessoas devem respeitar aquilo que dizem os estatutos e o código de conduta do partido.

Questionado se houve atropelos aos estatutos e ao código de conduta do MPLA, Higino Carneiro preferiu não comentar, mas o facto de ter feito referência à necessidade de ver cumpridos esses pressupostos, significa que é esse o seu entendimento.

Sobre a recolha de assinaturas pelo país, o político disse que está a correr bem, mas lamenta o facto de a subcomissão de candidaturas lhe ter negado a recepção de 10 mil assinaturas exigindo novo preenchimento dos impressos.

"Fomos forçados a voltar a fazer esse trabalho, tendo em conta que a subcomissão de candidaturas entendeu nos entregar uma nova ficha para preencher", contou.

Segundo Higino Carneiro, a subcomissão de candidaturas ao 9º Congresso Ordinário, electivo, do MPLA, que vai decorrer de 09 e 10 de Dezembro, devia ter feito esse comunicado quando realizou uma conferência de imprensa a anunciar que haveria múltiplas candidaturas.

Sobre as declarações proferidas por "Jú Martins", mandatário da candidatura de João Lourenço, que afirmou que "ser candidato do MPLA à presidência da República não é para quem quer, é quem o MPLA julga ser o melhor e o mais adequando", Higino Carneiro proferiu não comentar, mas disse: "o partido é dos militantes".

Aos jornalistas, Higino Carneiro disse estar bastante preocupado com o que tem observado e lido nas redes sociais, onde há uma corrente de manifestações de apoio a um candidato.

"Seria bom que a estrutura superior do partido entendesse que a nossa manifestação de interesse fosse saudada assim como fizerem em carta que nos endereçaram. Neste momento o que me preocupa é isso! Devemos evitar que haja confronto entre apoiantes de uns e de outros", disse.

Para Higino Carneiro, o que deve estar em causa é a união do partido e o seu fortalecimento.

"Não estou envolvido nesta corrida para dividir o partido, estou para somar", concluiu o político.

Sobre a possível marcha de apoio à candidatura de João Lourenço, agendada para o próximo sábado, Higino Carneiro lamentou e disse que tal intensão fere o código de ética do partido, porque o MPLA não está em campanha.

Higino Carneiro apelou aos militantes do partido para não enveredarem por esse caminho, porque no seu entender não é bom, nem melhor para imagem do partido, negando estar envolvido numa alegada marcha de apoio à sua candidatura no Kwanza Sul.