Segundo o tribunal, o homicídio foi involuntário, pois o arguido encontrava-se embriagado.

O tribunal considerou que não houve dolo, ou seja, não houve qualquer intenção do acusado matar as vítimas, considerando que o arguido não estava no seu juízo perfeito.

O julgamento, que começou em 2024, terminou esta quarta-feira,14, com a leitura da sentença, proferida a favor do arguido, facto que indignou a família das vítimas que asseguram não ter sido feita justiça.

A sentença ditou a absolvição do arguido para o crime de homicídio voluntário, mas culpou-o do crime de condução sob efeito de álcool e do crime de homicídio involuntário.

Pelos dois crimes, o arguido foi condenado a uma pena de três anos de prisão, com pena suspensa.

A família das duas vítimas atropelados pelo amigo à porta da discoteca Black Star, no município de Viana, acredita que o autor do atropelamento terá premeditado o crime.

No momento da ocorrência, Adir Gonçalves, de 24 anos, estava acompanhado pelo seu irmão mais velho, Célio Gonçalves, de 27, que também foi colhido e conheceu a morte meses depois, após vários tratamentos médicos.

Este crime chocou a sociedade no dia 1 de Janeiro de 2018, quando os três amigos saiam de uma festa de Ano Novo.

Adir Gonçalves estudava nos Estados Unidos da América e veio a Luanda, em Dezembro de 2017, para passar férias com a família.

No dia 31 de Dezembro de 2017 foi convidado pelo amigo, José Evandro, o arguido, para a festa de passagem de ano na discoteca "Black Star".

Para não se sentir sozinho, Edir convidou também o seu irmão mais velho, Célio Gonçalves, e os três rumaram então ao local da festa onde se divertiram noite dentro.

No final do evento, por volta das 07:00, já fora da discoteca, o arguido ter-se-á desentendido com um jovem até agora desconhecido. O desentendimento ganhou proporções tais que obrigou os irmãos a acalmarem a situação.

Enquanto os dois irmãos procuravam acalmar os ânimos, o arguido entrou na viatura, de marca Toyota Prado, dando logo início a uma sessão de "racha", tendo consequentemente embatido contra Célio e Edir. Este último não resistiu aos ferimentos e teve morte imediata. Célio foi transferido para o hospital Militar, onde ficou internado, e veio a falecer meses depois.

Depois de causar o acidente, o arguido ainda tentou fugir, mas foi cercado pela multidão que o conduziu ao comando municipal de Viana da Polícia Nacional.