A chefe dos Serviços de Nutrição da ala pediátrica da unidade, Joaquina António, em declarações ao NJ, confirma que as mortes ocorreram em pacientes reincidentes, "que vão de alta, mas posteriormente voltam duas ou três meses mais".
As papas [suplementos nutricionais], a medicação e o rastreio de doenças deveriam ser feitos nas instituições locais de suporte, os denominados PTPA, que são os centros que acompanham o doente após a alta médica.
"infelizmente na nossa província não tem", obrigando o paciente a retornar aos Serviços de Nutrição do Hospital Provincial Materno Infantil, por vezes em estado avançado de desnutrição, com poucas possibilidades de recuperação.
Os referidos Serviços contam com 7 salas de internamento para acomodar 15 pacientes, quando não há superlotação.
"Nós só temos o HPMIM e no Quéssua onde fornecem papas", disse, acrescentando que as distâncias entre os únicos dois centros afecta principalmente os pacientes das famílias que vivem em condições precárias.
"Conseguimos recuperar algumas, mas muitas das reincidentes vão mesmo a óbito", garante a especialista, que confirma o internamento diário de 5 a 6 crianças.
A província de Malanje carece de condições para o acompanhamento rigoroso das crianças desnutridas por inexistência de centros e pessoal treinado.
"Se não temos centros como faremos o seguimento dessas crianças?", questiona.
A médica pediatra garante serem poucos os casos em que a desnutrição está associada a outras patologias, "a maioria dos casos que internamos por desnutrição na nossa instituição é mesmo por falta de alimentação, outros por má combinação da alimentação".
Para a especialista, muitas mães às vezes têm alimentos, mas não sabem combinar os mesmos, desconhecem o seu valor nutricional, muitas têm períodos reduzidos entre duas gravidezes, ocasionando "desmame precoce", havendo ainda crenças tradicionais que produzem desnutrição severa e contra as quais é muito difícil de lutar nestes meios.
