Nascida em Portugal, tendo passado parte da infância em Macau, Maria do Carmo Medina chegou a Angola em 1950. Em Luanda, aderiu à causa nacionalista e combateu o regime colonial - reconhecendo, contudo, em declarações à Angop em 2012, a "limitação" do seu trabalho comparado com o "sacrifício humano" de outros nacionalistas.

"Em Angola, conheci a brutalidade e a iniquidade do sistema colonial, e nos limites das minhas possibilidades tinha de ajudar quem precisava: os que não tinham advogados, a quem estavam tirar a terra", disse à agência.

"Depois de saber da amordaça, tortura e o sufoco, não podia ficar indiferente e deixar de integrar a luta, procurando denunciar todo o sistema jurídico desumano, pelo afecto e muito amor que tenho por Angola, justificadas pela gratidão de amizade, fraternidade e grandeza moral do povo generoso de Angola", afirmou.

Estas declarações foram feitas durante uma homenagem que a CPLP prestou à jurista por ocasião do lançamento do livro "Angola - Processos Políticos de Luta pela Independência", da sua autoria.

Formada em direito pela Universidade de Lisboa, a advogada colaborou no projecto de Lei Fundamental previsto pelo Acordo de Alvor, foi juíza no Tribunal Cível de Luanda, secretária para os Assuntos Jurídicos da Presidência Angolana, professora da Universidade Agostinho Neto e vice-presidente do Tribunal Supremo.

"Profundo pesar"

Em reacção à notícia, o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos Rui Mangueira expressou "profundo pesar" pelo desaparecimento da jurista e realçou o contributo de Maria do Carmo Medina para a construção do Direito em Angola.

"A justiça angolana verga-se à memória de um dos pilares do Direito e da Justiça da história da nação", afirmou o governante.

NJ