NJ - Que avaliação faz do sector empresarial nacional?

FO - Estamos a fazer melhorias, mas é necessário que haja uma maior cooperação entre o sector público e as associações empresariais para que se possam identificar os constrangimentos e desenvolver propostas de melhorias. O ambiente de negócios continua terrível.

As questões burocráticas, o não pagamento da dívida do Estado às pequenas empresas, o acesso ao crédito, a falta de recursos humanos qualificados e a corrupção são os maiores constrangimentos que provocam e afectam negativamente o sector empresarial.

Continua a haver demasiados órgãos públicos e todos eles de alguma forma actuam no ambiente de negócios. Se pensarmos que o empresário deixa de criar, desenvolver produtos e serviços, porque tem de atender todo um conjunto de documentos para cada um desses órgãos, isso, só por si, emperra a máquina do empresariado.

Este é um tempo que o empresário deveria investir na sua função social de criar riqueza, criar emprego e consequentemente pagar os impostos.

Perdemos a maioria do tempo a tratar de papéis que muitas vezes são sobrepostos, descoordenados, e com a particularidade de serem "luandizados".

Os alvarás são emitidos em Luanda, os certificados do INAPEM são emitidos em Luanda e todos os centros de decisão estão em Luanda. A nível da banca privada e estatal, todas as decisões são em Luanda.

Isso significa que há um conjunto de barreiras que fazem com que os negócios tenham grandes dificuldades em funcionar a nível das províncias. Só aqueles empresários que efectivamente têm capacidade financeira e contactos a nível de Luanda conseguem, na maioria das vezes, resolver os seus problemas.

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