Para já, Donald Trump ainda está na fase das metáforas bombásticas, publicando na sua rede social Truth Social que o cessar-fogo entre EUA/Israel e o Irão está "nos cuidados intensivos", o que provocou o pânico nos mercados.

E mesmo antes de as partes voltarem a incendiar o Golfo Pérsico, de onde sai para o mundo 20% do seu gás e do seu crude, os gráficos nos mercados começaram a vibrar e a subir como se o retomar dos bombardeamentos fosse já inevitável.

É que nas duas primeiras semanas após a coligação israelo-americana lançar os primeiros misseis contra o Irão, o barril de Brent, a referência maior para as exportações angolanas, não passou dos 103 USD.

Mas hoje, terça-feira, 12, perto das 12:20, hora de Luanda, o mesmo barril de Brent estava a valer 107,4 USD, reflectindo uma subida de mais de 3,10%, e ainda não se tinham ouvido as esperadas, como os media norte-americanos já dão como certas, explosões no Golfo Pérsico.

O que está a puxar o barril de Brent para a fasquia dos 110 USD - e o WTI em Nova Iorque para cima dos 100 USD - é o impasse nas negociações entre EUA e Irão sabendo-se como se sabe que esta situação é insustentável para a economia mundial e para a "econimia" eleitoral de Donald Trump.

Todos os analistas coincidem na ideia de que sem uma resolução célere para este conflito, as aspirações eleitorais do Partido Republicano de Donald Trump estão seriamente comprometidas nas eleições intercalares de Novembro deste ano.

E se nas negociações (ver aqui) não parece que o Irão vá ceder as exigências norte-americanas , ou que Washington possa vergar-se às condições iranianas, então ao Presidente norte-americano e líder de facto dos Republicanos, só resta uma saída: as armas.

O que seria, no imediato, o pior cenário para o sector energético, como se pode verificar pelo nervoso miudinho que vais pelos mercados petrolíferos e do LNG, pelo menos até que se conheça o resultado da reunião anunciada para esta terça-feora, 12, pela Casa Branca entre Trump e os seus conselheiros miliares e as chefias do Pentagono.

Isto, quando ninguém quer ver o elefante na sala que já hoje foi descrito pelo CEO da ARAMCO, Amin Nasser, quando explica que o mundo não está a receber 100 milhões de barris todas as semanas desde que esta crise começou.

E isso significa que a normalização nos mercados já só poderá, mesmo que a paz seja conseguida agora, acontecer no próximo ano, como nota Amin Nasser, enquanto se começa a saber nalguns media mais afoitos que são cada vez mais os países que estão a mudar do mercado de futuros para o das entregas imediatas.

E a importância deste cenário é simples de explicar: se continuar a acentuar-se, o valor formal do barril de Brent, por exemplo, deixará de ser os oficiais 107 USD para ser entre 135 e 145 USD, que é o valor em vigor para receber as cargas na hora.