Com efeito, a maior refinaria africana, que entrou em funcionamento em 2024, situada na Nigéria, com capacidade de refinação de 650 mil barris/dia, e é um investimento do homem mais rico de África, Aliko Dengote, começou a colocar os seus produtos no mercado africano.

Países como Togo, Camarões, Tanzânia, Gana ou a Costa do Marfim, aparecem, segundo os media especializados na lista dos primeiros clientes da Refinaria Dengote, aproveitando a redução da oferta gerada pela guerra no Médio Oriente, sendo que outros países, como a RDC, República do Congo, ou Zâmbia, estão na calha para serem clientes.

Alguns destes países, nomeadamente os de maior proximidade geográfica, podem ser, naturalmente, clientes, como já foi sublinhado pelas autoridades angolanas do sector, dos excedentes esperados da refinação nacional quando as unidades do Soyop, Cabinda e Lobito estiveram operacionais (ver links em baixo).

É que, as necessidades diárias angolanas rondam os 200 mil barris/dia, a capacidade máxima, por exemplo da infra-estrutura projectada para o Lobito, e as quatro, contando com a actual, de Luanda, deverão, em plena funcionalidade, refinar entre 350 a 400 mil barris por dia.

Números longe da capacidade desta infra-estrutura nigeriana, com potencial para refinar até 650 mil barris/dia, cujo fundador, ao longo do processo de construção foi repetindo que se tratava de um projecto com potencial para garantir a independência energética regional.

E essa demonstração de potencial está a ser apressada pela crise no Médio Oriente gerada pela guerra iniciada pela coligação israelo-americana contra o Irão, que está há 25 dias a retirar quase 20% do crude e do gás mundial de circulação devido ao fecho do Estreito de Ormu, que liga o Golfo Pérsicoi e o Oceno Índico, pelo Irão.

O primeiro passo para a expansão regional da Refinaria Dengote, situada na região de Lagos, começou esta segunda-feira, 23, com o anúncio de que foram exportados 12 cargas, totalizando 456 mil toneladas de fuel, para seis países da região.

O que está dentro dos objectivos iniciais deste investimento superior a 20 mil milhões USD, que são proporcionar independência energética à Nigéria e a toda a África Ocidental e Central, uma das áreas de potencial mercado para os excedentes das refinarias angolanas.

Um porta voz da Refinaria Dengote, citado pelas agências, sublinhou que o conflito no Médio Oriente está a ajudar a queimar algumas etapas na conquista de quotas de mercado e acrescentou que esta unidade tem já procura fora do continente africano, especialmente no que toca ao jet fuel.