E isso ficou claro na operação, denominada Liberterra III, que a Interpol realizou nos últimos meses que culminou agora, de acordo com os resultados divulgados esta segunda-feira, com a detenção de mais de 3.700 traficantes de seres humanos.

No âmbito desta operação global, alem do elevado número de detidos, cerca de 3.740, e de pessoas libertadas das garras das organizações criminosas, cerca de 4.500, um outro dado ganha relevância: o fluxo está a deixar de ser de África para fora.

E com isso, o continente africano, está a começar a ganhar dimensão relevante enquanto local de recepção de pessoas para aqui trazidas ilegalmente e, por vezes, forçadas, de países asiáticos ou latino-americanos.

Na Liberterra III, foram envolvidos, no último trimestre de 2025,119 países, com apoio das polícias nacionais, mais de 14 mil, com África a integrar este novo esforço da Interpol, incluindo, entre outros, países como Moçambique,

A Interpol destacou desta feita que foram detectados e desmanteladas organizações que envolviam a deslocação de sul-americanos e asiáticos para África, considerando esta polícia internacional que "está a acontecer uma mudança no tráfico humano que contrasta com o passado, onde os africanos surgiam comummente entre os alvos do tráfico"

Um dos elementos da equipa que geriu esta operação, o secretário-geral da Interpol, general Urquiza, apontou como facto relevante agora constatado que as redes globais de tráfico humano estão a mudar os padrões, a mudar as rotas e procurar novas geografias com a presença de populações fragilizadas na Ásia e na América Latina.

Os locais mais activos neste mapa mundi do tráfico humano são, como têm sido há décadas, regiões abrangendo, na América, o Peru, Brasil, Colômbia ou Venezuela, e em África a costa da África Ocidental, Mauritânia ou Marrocos.

Os métodos permanecem muito semelhantes ao longo dos anos, como as promessas de trabalho ou futuros promissores em actividades muito queridas entre os jovens, como o desporto, a moda...

Segundo as informações avançados no âmbito da Liberterra III, em África foram especialmente visados países como Benim, Costa do Marfim, Senegal ou o Gana, na Ásia aparecem em destaque países como Myanmar ou Tailândia, e na América do Sul, Peru e Brasil.