O general Amir Mohammad Akraminia, um porta-voz das Forças Armadas iranianas, mostrando pouco receio das ameaças do Presidente Trump e do seu secretário de Estado, avisou que se os EUA mantiverem este comportamento agressivo, a estratégia militar iraniana sofrerá alterações de forma a "tornar esta guerra impossível de manter pelos agressores".

Este responsável militar admite que os EUA ignoraram o Memorando de Entendimento (MdE) assinado em Junho para tentarem mais uma vez subjugar o Irão através dos seus mísseis, mas o que encontraram foi, afirmou aos media locais em declarações recuperadas pela imprensa internacional, um país preparado para lidar com as suas agressões.

O que parece ser agora a estratégia iraniana é, como fica claro nestas declarações, e tem estado a ser analisado por especialistas militares nas plataformas de comunicação alternativas aos media tradicionais, é que os mísseis e drones estão a alvejar com método e persistência a estrutura de detecção precoce para misseis balísticos dos EUA na região, através de radares de longo alcance.

O Irão está assim a avisar Washington que esse trabalho está a ser conduzido metodicamente desde o recomeço deste conflito, há cerca de duas semanas, o que levou a uma situação, reclamam os iranianos, que deixou os norte-americanos dramaticamente indefesos para os seus mísseis balísticos, como já estavam para os seus projecteis hipersónicos, especialmente na última noite, embora Washington não tenha admitido o sucesso dos ataques reclamado por Teerão.

Todavia, o mesmo está a ser apontado em sentido contrário, com os EUA a privilegiarem nestas 12 noites consecutivas de ataques no Irão os centros de defesa de costa iranianos, deixando o país mais vulnerável a uma eventual incursão terrestre, como, por exemplo, Douglas MacGregor, coronel na reforma e antigo conselheiro militar da Administração Trump, admite que está nos planos dos generais que conduzem este conflito a partir do Pentagono.

Face a esta evolução em ambas as estratégias militares, alguns especialistas militares, como Jacques Baud, antigo oficial da intelligentsia suíça e da NATO, e autor de vários livros sobre conflitos no Médio Oriente, ou MacGregor, parece cada vez mais evidente que tanto Teerão como Washington já definiram que este conflito terá a via militar como desfecho a via militar.

Da parte do Irão é evidente que isso resulta da impossibilidade de voltar a acreditar na assinatura de Donald Trump em qualquer negociação, visto que os EUA traíram a sua palavra em três ocasiões no último ano.

A primeira em Junho de 2025, quando Trump ordenou ataques às instalações nucleares iranianas quando os dois países estavam em negociações sólidas e oficias sobre precisamente o programa nuclear iraniano, depois em Fevereiro deste ano, quando, em colaboração com Israel atacou Teerão, matando o seu Líder, Ali Khamenei, a meio de nova ronda negocial, e, agora, rasgando o Memorando de Entendimento ao não aceitar que o Estreito de Ormuz, como consta dos seus pontos 4º e 5º seja supervisionado por Teerão.

Esta última fissura no cessar-fogo resultou de ataques iranianos a embarcações que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz numa rota alternativa criada pelos EUA à revelia do Memorando, levando a que Trump voltasse a ordenar a retoma dos ataques sobre território iraniano.

Neste contexto, os EUA procuram degradar noite após noite as capacidades militares iranianas ao longo da sua costa, além de pontes e centrais eléctricas, mostrando uma possível preparação para a invasão terrestre.

E o Irão aposta tudo em desmembrar os sistemas de defesa anti-aérea dos EUA e dos seus aliados na região, do Kuwait à Jordânia, bem como os seus radares de longo alcance, que permitem um aviso antecipado para ataques em curso, sistemas de conexão por satélite e armazéns de drones de vigilância, como os dispendiosos MQ.9 Ripper.

Conclusão: este conflito, se não surgir algo de extraordinário, tem todos os condimentos para evoluir em constantes escaladas de forma a se transformar numa guerra generalizada a toda a região do Médio Oriente, que pode, em derradeira instância, levar os EUA, com ou sem colaboração israelita, a recorrer a armas nucleares tácticas para o resolver.

Essa possibilidade de evolução catastrófica e os efeitos devastadores na economia global podem levar a que o bom senso regresse, o que pode estar a acontecer neste momento, visto que, depois de ter estado em Washington, o primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, que tem uma ligação de proximidade aos americanos e também aos iranianos, está agora em Teerão, segundo algumas fontes, a pedido de Donald Trump.

Com a anulação do MdE, depois do novo Líder Supremo do Irão, o aitalo Mojtaba Khamenei, filho do anterior, assassinado por americanos e israelitas, ter dito que a palavra dos americanos não tem significado, tendo o Paquistão, aparentemente, abandonado o esforço de mediação diplomática, a esperança está agora em Ali al-Zaidi, o primeiro-ministro iraquiano, que, também ele, precisa de rapidamente afastar o espectro da guerra das suas fronteiras.

E a razão é evidente. Sendo o Iraque um país de maioria xiita, tal como o Irão, nele coexistem várias milícias e grupos organizados aliados dos iranianos que rivalizam e superam as forças regulares do Iraque em capacidade militar, sendo que também estas são maioritariamente compostas por xiitas, Ali al-Zaidi, embora sendo também ele xiita, e um banqueiro conhecido no país, é visto como um fazedor de pontes moderado que se está actualmente a mover em areias movediças.