Essa ordem mundial contra os Direitos Humanos tem três caras em destaque por esta ONG que se bate contra as injustiças no mundo, que são os Presidentes dos EUA, Donald Trump, da Rússia, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyhau.

Na mesma senda, o documento da AI nota em tom crítico que a União Europeia, tida como a linha da frente da defesa dos Direitos Humanos é hoje uma entidade passiva face ao avanço da repressão, violência em massa e impunidade global.

O relatório anual sobre a situação dos Direitos Humanos no mundo, acusa estes três líderes de estarem por detrás de uma ordem mundial contrária aos Direitos Humanos que usam para dominar o resto do Planeta através da ameaça de "destruição, repressão e violência em grande escala".

O que a AI considera ser "o momento mais desafiante da nossa era", com a sua secretária‑geral, Agnès Callamard, a justificar a designação com a ideia de que a humanidade está sob "ataque de movimentos transnacionais contrários aos direitos humanos e de governos predatórios determinados em afirmar o seu domínio através de guerras ilegais e chantagem económica descarada".

Segundo a responsável, esta ofensiva tem sido impulsionada "sobretudo por Trump e Netanyahu, que não dispõem de um horizonte prolongado para se manterem no poder".

Callamard afirmou ainda, citada pela Lusa, que os "ataques ilegais dos EUA e de Israel" ao Irão violam a Carta das Nações Unidas e que estes terão desencadeado "retaliações indiscriminadas do Irão", dando origem a um conflito que se transformou numa guerra aberta contra civis e infraestruturas civis, agravando "o sofrimento já catastrófico das populações em toda a região".

Trata‑se, sublinhou, de uma situação que envolve "países em todo o mundo, afeta populações em todo o lado e ameaça o sustento de milhões de pessoas", o que acontece quando "as normas, as instituições e o quadro jurídico cuidadosamente construídos para salvaguardar a humanidade são esvaziados com objetivos de dominação".

Apesar de manifestantes, ativistas e organismos internacionais estarem a trabalhar para "resistir, interromper e transformar este processo", o mundo está "à beira de uma nova e perigosa era", alertou.

Agnès Callamard, ainda citada pela Lusa, avisa que os Estados, as organizações internacionais e a sociedade civil têm de "resistir coletivamente a estes ataques para impedir que esta nova ordem se instale".

"Durante anos, a Amnistia Internacional tem denunciado a desintegração progressiva dos direitos humanos em todas as regiões do mundo, alertando para as consequências da violação flagrante das regras por parte de governos e de agentes empresariais", referiu, acrescentando que a organização também tem demonstrado, "de forma reiterada, como o uso de dois pesos e duas medidas e a aplicação seletiva do direito internacional enfraquecem o sistema multilateral e os mecanismos de responsabilização".