A liberdade é rara e, por vezes, fugaz. Aparece por exemplo, depois de décadas de apartheid, violência ou é construída após anos de ditadura e mono-partidarismo. A liberdade é sensível, não se enclausura entre dogmas falaciosos ou activismos radicais viciados.

Mas o que é ser livre? Ausência parcial ou mesmo total de regras. Há quem entenda assim e chame a si um direito de liberdade que respeita apenas e só, a sua vontade sem olhar a normas ou convenções instituídas por outros.

No dia internacional da liberdade de imprensa, que se assinalou no passado dia 3 de Maio, é comum relembrar os que sofreram danos irreparáveis devido a situações de nítida privação de liberdade. E passar em revista os locais onde, de facto, ela ainda não existe.

O passo seguinte seria relatar como se vive com liberdade de imprensa e o impacto que essa realidade tem nas sociedades. Outra ideia seria, ir a fundo e tentar perceber como é exercida essa liberdade em pleno, ou não, e escrutinar esse fenómeno, sem no entanto, beliscar a essência da liberdade.

Porque o objectivo não é avaliar se é bom ou não viver em liberdade, isso é inquestionável, é fundamental! Pouca, muita ou mesmo muito musculada, existe de facto uma série de factores que delimitam a liberdade de imprensa e o entendimento que se tem desse estágio livre. Políticos, económicos, sociais, religiosos, pessoais, são os mais comuns.

Mas os orquestradores dessas variáveis condicionadoras, não são sempre os mesmos ou pelo menos, só aqueles de que se fala habitualmente. Os detentores de poder, o Governo, a polícia ou o famoso lápis azul… Podem ser todos esses, mas não podem ficar esquecidos os que actuam sob a égide da defesa de uma liberdade para encobrir interesses e espantem-se os mais ingénuos, também inclui os que se dizem jornalistas. Seres que presam a liberdade que lhes permita fazer de tudo. Seguem militantemente e com bastante visibilidade, uma campanha pela liberdade de imprensa.

Usam de tudo para parecer o que não são. Vale tudo para alcançar um nível de liberdade sem regras. E assim, livres e desobrigados de cumprir códigos deontológicos e uma ética que afinal, é mais prejudicial do que benéfica à sua actividade paralela e que nada tem que ver com a imprensa ou tem…Podem usar e abusar desta liberdade condignamente conquistada por quem, pelos valores certos, lutou e muito bem, para garantir uma imprensa séria, competente e rigorosa.

O impacto desta visão distorcida de liberdade é preocupante e compromete o futuro da classe jornalística que deveria ser forte, acutilante e respeitada. Ao invés disso, há um considerável número daqueles que se dizem ser jornalistas, debilmente preparados que sem pudores, usam um título que não lhes pertence para fins e interesses pessoais, políticos, económicos, financeiros… há de tudo venha o diabo e escolha. Uma lei actualizada poderia ajudar, mas era preciso que todo o sistema funcionasse.

Tribunais, sindicato, organizações civis e não-governamentais que agissem de facto para apertar o cerco aos prevaricadores que usam e abusam de uma liberdade que não lhes pertence. Até lá, é perceber que entre os corruptos e os que escrevem sobre eles, infelizmente, nem sempre existe muita diferença e assim se faz uso da liberdade.