A perspetiva foi deixada pelo Presidente angolano, João Lourenço, que esta quarta-feira, 26, fez uma curta visita à capital congolesa, Kinshasa, onde formalizou com o homólogo, Félix Tshisekedi, o contrato da empreitada do chamado caminho-de-ferro de Benguela.
Como frisou o chefe de Estado de Angola, este troço "constitui a principal infraestrutura do grande projeto do Corredor do Lobito" e, a partir da assinatura deste contrato, será possível "ver viabilizado o Corredor do Lobito nos próximos anos".
A empreitada foi entregue à Mota-Engil África que será responsável durante 30 anos pelos mais de mil quilómetros de ferrovia na RDC, concretamente pela "exploração, operação, modernização, reabilitação e manutenção", como divulgou a empresa.
Em comunicado, a Mota-Engil África especifica que ao longo do contrato o investimento deve chegar aos 1.800 milhões de dólares [1.544 milhões de euros]".
Na cerimónia que teve lugar hoje em Kinshasa, o Presidente de Angola lembrou que há dois anos que falava deste projeto, "faltava a assinatura dos contratos que vão viabilizar a exploração em toda a extensão da linha férrea do chamado caminho-de-ferro de Benguela, que constitui a principal infraestrutura do grande projeto do corredor do Lobito".
Para o Presidente da RDC, Félix Tshisekedi, o que vai ser construído "não é apenas um corredor de escoamento de minerais, mas para a transformação e criação de valor para as atividades agrícolas e industriais".
O chefe de Estado sublinhou que o essencial é o impacto concreto deste projeto na vida das populações, são os empregos que vão ser criados, a formação dos nossos jovens, o desenvolvimento de competências nacionais.
O encontro de hoje entre os dois chefes de Estado foi apontado como uma nova perspetiva na cooperação entre os dois países vizinhos e, além do Corredor do Lobito, foram também abordados outros acordos de cooperação.
João Lourenço referiu-se ao memorando de entendimento entre Angola e a RDC sobre a possibilidade de exploração conjunta do petróleo numa zona de interesse comum, que irá beneficiar os dois países de igual forma, 50%/50%.
"Passados 20 anos, esse memorando de entendimento não saiu do papel, apenas a partir de 2023 os nossos dois governos começaram a dar passos concretos no sentido de tornar este grande negócio numa realidade. Se continuarmos com este espírito de cooperação poderemos, dentro de três ou quatro anos, começar a fazer essa exploração conjunta do petróleo", afirmou.
Os dois chefes de Estado falaram, também, da partilha de benefícios e de infraestruturas e os "dois países conseguiram finalmente chegar a um entendimento para que se faça a ligação entre a cidade angolana do Soyo, produtora de energia, e o território congolês", disse.
Angola, acrescentou, vai também vender energia elétrica à RDC através de novas linhas de transporte que estão a ser construídas em zonas do país junto à fronteira.
No quadro da cooperação económica, o dia de hoje foi apontado como o começo de "uma nova dinâmica" que contempla ainda trocas comerciais de bens e serviços entre os dois países, como a gasolina produzida em Angola.
