A inquietação do general, numa mensagem dirigida a membros do Governo Provincial, foi ouvida na zona mais afectada pelo transbordo do rio, entre a Seta Nova e a Calomanga, onde as autoridades anunciaram a reabilitação de 300 metros de extensão do dique.
"Não estou a ver nada de novo aqui", atirou João Ernesto dos Santos, que viria a ser convidado, pouco depois, a avançar para um outro ponto.
O NJ constatou que foram executados trabalhos de recuperação de parte do dique, com rochas numa das margens, mas também aberturas em outras partes, propensas a inundações.
Tanto que vários munícipes ouvidos enquanto o ministro de Estado questionava membros do Governo Provincial, num tom a denotar inquietação, disseram, categóricos, que "continua a ser uma ameaça viver nesta zona".
Após esta incursão, João Ernesto, que preside à Comissão Nacional de Protecção Civil (CNPC), foi convidado a visitar uma casa em recuperação na Calomanga, a primeira de um total de 50 que não suportaram a fúria das águas.
O passo seguinte foi o bairro da Graça, que recebeu, a 16 de Junho, a primeira pedra para a construção de 225 casas sociais para famílias sinistradas, no quadro de um projecto avaliado em mais de 11 mil milhões de kwanzas.
Num terreno com adversidades como focos de lixo e declives, mas com sinais de terraplanagem, estão quatro empresas de construção civil, uma chinesa, uma vietnamita e duas locais, que ouviram o ministro de Estado e Chefe da Casa Militar do PR a manifestar cepticismo.
Se forem cumpridos os prazos, as casas para a Graça, primeiras de um total superior a mil, e sete equipamentos sociais, como escolas, infantário, centro de saúde e centro de atendimento ao público, serão entregues em Fevereiro de 2027.
À semelhança do que fez na visita anterior, João Ernesto dos Santos disse conhecer a experiência em situações do género e, em função das suas observações, duvidava das garantias que recebia dos empreiteiros.
A empresa vietnamita, que despediu funcionários devido ao baixo volume de trabalho, continua a levantar quatro casas, ao passo que uma angolana, a Tchicamby, começou a efectuar as escavações para igual número de alicerces.
"Queremos é que as casas terminem, nós prometemos", frisou o ministro de Estado, outra vez em tom a denotar cepticismo.
Em função dos desafios para os empreiteiros, que já admitiram, inclusive, reduzir a execução de oito para seis meses, o NJ abordou o governador provincial, Manuel Nunes Júnior, sobre o pagamento dos 15 por cento do valor total, mas não obteve resposta.
"Vamos trabalhar para que o contrato seja cumprido, nós fazemos a nossa parte e eles fazem a sua", indicou o governador, sem nunca ter confirmado o down payment (pagamento inicial) relativo às 225 casas.
