Contam os nativos da Lunda Sul que, antes do fim do conflito armado que assolou o país, o município de Dala assumia-se como um colosso da agricultura a nível da região Leste. Mesmo com as contrariedades que se impunham na altura, ainda assim, no seu solo fértil cultivava-se feijão, tomate, abacate e mandioca, entre outros produtos.
Actualmente, a terra limitada a Este pela municipalidade de Muconda, a Sul por Lumeje, Camanongue, a Oeste por Cacolo e a Norte pelo município de Saurimo, adormeceu nos campos. Parte dos cerca de 100 mil habitantes que povoam a zona puseram a mão noutros negócios. Porque a agricultura há muito que deixou de ser a base de sustento para muitos agregados familiares. A caça, a pesca e a venda em pequenos mercados são outras das actividades que engrossam a vida diária dos munícipes. O exercício agrícola começa a ficar para trás.
Não por falta de água, como noutras regiões do país, mas por falta de meios, fertilizantes e ferramentas indispensáveis no desbravamento da terra. Tal como disse Bibiana Mazunino, residente há mais de dez anos na comuna de Luma Cassai, "o mais importante é não ficar parada".
"É preciso afugentar a fome da cozinha", avisou. Dona Bibiana interiorizou esse conceito em função das perdas que enfrentou no último período agrícola. Foram enormes as quantidades de tomate que acabaram por deteriorar-se por falta de meios de escoamento para outras zonas, como a vizinha província do Moxico ou mesmo para a capital, Saurimo.
Os serviços de transporte estão cada vez mais difíceis para os produtores agrícolas devido às débeis condições em que se encontra a única via que liga o município a outros pontos do país. Embora tenham sido asfaltados cerca de quarenta e dois dos 160 quilómetros da estrada Saurimo/Dala, que liga a província da Lunda Sul à do Moxico, ainda assim os obstáculos durante o percurso são enormes.Estas dificuldades foram sentidas durante a viagem que a equipa do Novo Jornal efectuou.
Foram consumidas mais de três horas de estrada para chegar até à Dala, partindo de Saurimo. Dizem os frequentes usuários desta via que o problema agrava-se quando o período chuvoso é mais severo. Muitos acabam por madrugar no caminho devido aos problemas de locomoção. Raúl Teixeira, camionista, com ou sem chuva, passa todas as semanas naquele troço, transportando mercadorias para a província do Moxico. A estrada é "um inferno".
"Mesmo não chovendo temos esse contratempo. Agora veja o nosso sofrimento quando chove. É verdadeiramente um inferno. Não se admite que uma via importante como esta esteja nas condições que sabemos. E o que mais me irrita é que as obras aqui estão sempre a parar", lamentou.
A situação difícil desta via é, na opinião dos filhos da Lunda Sul, umas das razões que remete o município para uma posição tímida no que toca ao investimento privado. É também a responsável pela pouca afluência de turistas à região que tem o privilégio de ser banhada pelas fortes correntes do rio Tchiumbwe. Tchiumbwe gera energia As forças do Tchiumbwe vão ser aproveitadas para acabar com os actuais problemas de energia. Recentemente foi apresentado o projecto de construção da barragem hidroeléctrica do rio Tchiumbwe. Orçada em cerca de 98 milhões de dólares norte-americanos, depois de finalizada, esta barragem hidroeléctrica irá fornecer energia, numa primeira fase, às sedes municipais de Dala, Camanongue bem como para a capital do Moxico.
Todavia, tudo isto é uma realidade. Mas para quem está à frente dos destinos do município de Dala, como é o caso do seu administrador, João Tchiculo Martins, "é preciso acreditar que as coisas vão mudar para melhor". "A questão da estrada é um assunto da responsabilidade do Governo Central que já está a trabalhar para dar um melhor conforto aos populares", assegurou o governante.
