“A vítima, com cerca de 30 anos idade e sem qualquer instrução escolar, chegou a Portugal convencida que iria passar um curto período de férias”, introduz o comunicado do SEF, disponível na sua página web.

A nota esclarece que o homem foi aliciado a viajar para Lisboa “por familiares da proprietária do local onde se encontrava”, uma moradia na margem Sul de Lisboa.

A dona da casa, continua a mensagem, “mantinha a vítima ao seu serviço sem qualquer remuneração e com total controlo de movimentos”.

Na sequência da descoberta, as autoridades portuguesas informam que a mulher “foi constituída arguida, pela suspeita da prática dos crimes de Tráfico de Pessoas e Auxílio à Imigração Ilegal”, acrescentando que “a investigação prossegue”.

Nos termos da moldura penal portuguesa, a acusada pode ser condenada entre três a 10 anos de cadeia.

Já em relação à vítima, resgatada em colaboração com a Polícia de Segurança Pública lusa, o SEF informa que se estão a realizar diligências “no sentido de repatriar a vítima em segurança para o seu país de origem, conforme intenção declarada pela mesma”.

Entretanto, o jornal Diário de Notícias acrescenta, citando uma fonte do SEF, que tanto a vítima como a arguida são angolanos.

“O homem foi convencido a vir para Portugal passar umas férias por esta sua compatriota, residente no país. Quando chegou à casa dela, rapidamente afastou a ideia de uns dias de lazer. Foi obrigado a fazer todo o trabalho doméstico, a tratar dos três filhos dessa mulher (na casa dos 40 e tal anos), e até a limpar um terreno agrícola perto da casa, sem qualquer liberdade de movimentos. A mulher reteve-lhe os documentos de identificação que trazia e o passaporte”, descreve o jornal.

Ainda de acordo com o Diário de Notícias, foi a própria vítima que alertou as autoridades, quando avistou dos agentes da Polícia de Segurança Pública. Para não despertar a atenção da suspeita, o SEF alegou um problema no visto do angolano e, desta forma, conseguiu fazer com que o mesmo se deslocasse até às suas instalações.

O caso já foi comunicado às autoridades angolanas.